sábado, 13 de maio de 2017

Mangá: O homem que foge (Nigeru Otoko)

Título: O homem que foge
Título original: Nigeru Otoko (逃げる男)
Autora: Natsume Ono
Editora: JBC
Tradutor: Edward Kondo

Já fazia um bom tempo que eu queria ler algo da Natsume Ono. A autora é mais conhecida pelos seus mangás adaptados para anime: Ristorante Paradiso, Saraiya Goyou e ACCA 13. À primeira vista, eles se destacam pelo character design peculiar e único, que atrai alguns, mas que pode fazer outros torcerem o nariz. No entanto, no meio de um mar de animes/mangás semelhantes, é sempre bom ver alguns que parecem diferentes.

A estreia da autora aqui no Brasil supostamente seria com mangá Not Simple, anunciado pela L&PM já faz alguns anos. Entretanto, o tempo passou e nada do mangá ser lançado, para a frustração dos leitores. Felizmente a JBC decidiu apostar na autora e lançou O homem que foge. Eu e a Lulu do blog Lulunettes fizemos uma leitura compartilhada do mangá, e vocês podem ler as impressões dela aqui.


Esse mangá se inicia com uma história contada para as crianças sobre um urso que vive na floresta. Ele só pode ser visto por crianças e, se alguém passar um dia inteiro com ele e sair da floresta em segurança, terá um desejo realizado. Com essa história em mente, uma jovem decide entrar na floresta e lá encontra o tal urso.

No entanto, esse conto de fadas inicial é apenas o pretexto para conhecermos o protagonista da obra, um homem que se isolou na floresta para fugir de uma responsabilidade e tentar proteger uma pessoa. Assim, apesar de pela sinopse o mangá ser vendido como uma espécie de contos de fadas para adultos, ele é uma história mais realista, sobre a fuga, o peso das decisões e a dificuldade de se lidar com a vida e com as outras pessoas.

Não sei muito bem se foi porque fui com a expectativa de encontrar um conto de fadas ou se foi apenas porque tinha altas expectativas, mas a verdade é que não gostei tanto do mangá quanto esperava. Não sei explicar o que me desagradou além de que achei a história um pouco mais vaga do que eu gostaria.


Por outro lado, o traço da autora é um dos grandes atrativos da obra. Ono tem um estilo que destoa da arte mais convencional dos mangás e que às vezes lembra graphic novels europeias/americanas. Gosto muito do traço meio rabiscado, que dá a impressão de algo simples, rústico e sofisticado ao mesmo tempo, seja na paisagem sombria da floresta, nas feições dos personagens ou na expressividade do urso.

Apesar de O homem que foge não ser tudo aquilo que eu esperava, gostei do mangá e fiquei com ainda mais vontade de conhecer as outras obras da autora. Fico muito feliz que a JBC tenha apostado em um título não tão conhecido e espero que ela e as outras editoras sigam nesse caminho. E, claro, espero que Not Simple seja publicado aqui um dia.

Um comentário:

  1. Realmente, diante de tantos mangás semelhantes publicados no Brasil dá certo alívio quando chega algum título que foge a regra.
    Uma pena que a editora L&PM ainda não tenha publicado “Not Simple” (Ç_Ç). Espero que eles não desistam.
    Sempre ruim quando a tal expectativa atrapalha nossa leitura. Convenhamos que um pouco da culpa foi por causa da (capenga) publicidade.
    Por outro lado, eu gostei bastante de “O Homem que Foge”. Achei um mangá profundo que diz muito em poucas palavras.
    Sem dúvida é um mangá difícil de interpretar, de adentrar na narrativa. Mas acredito que essa dificuldade que o leitor sente, assemelha-se ao do protagonista.
    Eu também torço por mais mangás neste estilo por aqui (^_^).
    Obrigada pela companhia, Lígia!

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