terça-feira, 20 de junho de 2017

Desafio Volta ao Mundo em 80 Livros: 4 anos

Uma prova de que ando desanimada com o blog e com os desafios literários é que esqueci completamente do tradicional post de balanço de leitura do desafio Volta ao Mundo. Não só esqueci, como só fui lembrar dele dois meses depois! Mas tudo bem, antes tarde do que nunca, não é?

Não tenho lido obras de países muito diferentes recentemente, mas continuo em um ritmo estável em comparação com o ano passado. Os países novos que li desde o balanço do ano passado foram: Guatemala, Moçambique, Finlândia, Suíça, Turquia, Itália, Áustria, Equador, Indonésia e Albânia. Foram leituras um pouco mais eurocêntricas do que eu gostaria, no entanto, considerando que não pesquisei muita coisa e me concentrei em livros que tenho ou que já queria ler faz tempo, até que não estou tão mal.

Até o momento, li 53 livros de países diferentes, e o meu mapa está assim:


A lista de leituras está aqui, caso alguém esteja interessado.

Os países com o maior número de livros lidos desde que iniciei o desafio são os seguintes:

1. EUA (120)
2. Inglaterra (53)
3. Brasil (35)
4. Japão (31)
5. França (20)
6. Irlanda (7)
7. Hungria, Alemanha, Índia (5)
8. Portugal, Canadá, Austrália, Rússia (4)
9. País de Gales, Noruega, Israel, Itália, Finlândia, Chile, México, Coreia do Sul (3)
10. Escócia, Dinamarca, Espanha, Argentina, Peru, China, Angola, África do Sul, Nigéria (2)
11. República Tcheca, Holanda, Bélgica, Islândia, Áustria, Suíça, Albânia, Colômbia, Cuba, El Salvador, Honduras, Uruguai, Equador, Guatemala, Irã, Afeganistão, Paquistão, Indonésia, Turquia, Senegal, Marrocos, Zimbábue, Moçambique (1)

Vivo reclamando de como leio muito livro americano e não faço nada para mudar a situação, assim como, sempre que penso no meu desafio, fico com vontade de ler mais autores africanos, mas acabo não lendo. Acho que preciso me dar uma pressionada maior para sair da zona de conforto.

Se alguém tiver alguma recomendação de autores de países que ainda não li, ou mesmo de países que li pouco, eu aceito!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Randomicidades do mês: maio/2017

Livros lidos


Tsugumi - Banana Yoshimoto
Tsugumi é uma menina de saúde fraca e personalidade forte. O livro é narrado por sua prima, que costumava viver com ela em uma cidade litorânea antes de se mudar para Tóquio e que volta para sua terra natal para as férias de verão. Tsugumi é uma pessoa bastante desagradável e complicada, mas gostei de ver como as primas se entendem. Faz bastante tempo que eu queria ler algo dessa autora, e apesar de o livro ter ficado um pouco aquém das expectativas, ainda assim foi uma boa leitura.
Nota: 3,25


O fim - Lemony Snicket
Último livro da série, que me deixa um pouco frustrada por não revelar tanto quanto gostaríamos sobre os mistérios que surgiram durante toda a história, mas que ao mesmo tempo é um fim bastante adequado para a série.
Nota: 4


Estação Onze - Emily St. John Mandel
Uma gripe poderosa e de rápido contágio se espalha pelo planeta, dizimando a maior parte da população humana. Anos depois, as pessoas tentam sobreviver com o que restou. Viajando pelos pequenos povoados e se arriscando por terras sem lei, uma trupe de músicos e atores tenta levar arte para alegrar um pouco a vida das pessoas. O livro alterna entre diferentes épocas e foca em diversos personagens, e no começo eu não entendi muito bem por que a ênfase em alguns deles, mas aos poucos as coisas vão se encaixando.
Nota: 4


Quem poderia ser a uma hora dessas? - Lemony Snicket
Depois de treze livros de Desventuras, é claro que eu fiquei com vontade de ler mais histórias que se passam no universo da série. Nesse livro, acompanhamos a formação do Lemony na organização secreta. Sua primeira missão é ajudar sua mentora a resgatar uma estatueta de um animal mitológico em uma cidade em decadência. Sinto um pouco de falta do jeito usual de narrar do autor e os personagens desse livro não são tão interessantes quanto os de Desventuras, mas ainda assim é uma leitura bem interessante.
Nota: 3,75


Quando você a viu pela última vez? - Lemony Snicket
Lemony e sua mentora têm uma nova missão, que dessa vez envolve o desaparecimento de uma jovem rica. Os testemunhos sobre seu sumiço divergem e despertam muitas suspeitas no jovem Lemony. Ajudado pelas crianças e parcialmente atrapalhado pelos adultos, ele tenta solucionar o mistério e lidar com os problemas que surgiram em sua vida desde o livro anterior.
Nota: 3,5


Liquidação - Imre Kertész
Um escritor se suicida e seu editor tenta compreender o que o levou a isso enquanto busca o último romance deixado pelo amigo. O escritor foi uma das poucas crianças nascidas em Auschwitz, e esse fato marcou toda a sua vida e obra. Esse é um romance bem denso e meio depressivo, confesso que não estava no humor certo para esse tipo de leitura e que não gostei muito.
Nota: 2,75


Héracles - Eurípides
A tragédia narra a situação da família de Héracles, ameaçada pelo rei Lico, enquanto o herói estava fora executando seus doze trabalhos. Héracles volta a tempo de salvá-los, mas logo em seguida deusas enviadas por Hera chegam e enlouquecem o herói. A história é bem interessante, mas minha falta de referências sobre esse mito e minha dificuldade com o vocabulário e a estrutura do texto tornaram a leitura bastante difícil. Por que o coro tem que falar de maneira tão pomposa???
Nota: 2,5


As pernas de Úrsula e outras possibilidades - Claudia Tajes
Peguei esse livro por engano na biblioteca (culpa do novo sistema e do meu desconhecimento dele), então não tinha expectativa nenhuma. No começo, nem pretendia lê-lo, mas decidi dar uma olhada nas primeiras páginas para ter uma ideia de como ele era. Depois de umas leituras mais sérias, esse livro pareceu tão simples e rápido de ler que acabei seguindo com a leitura, apesar de me incomodar com algumas coisas. A história é muito simples: o protagonista nos conta sobre seu relacionamento com sua esposa, que seria ótimo se ele não ficasse subitamente atraído por uma bela mulher com longas pernas. Não desgostei da leitura, apesar de o livro ter um tom engraçadinho que não tem tanta graça assim, o protagonista ser um homem babaca bem esteriotipado, e o livro ser bastante clichê e esquecível (mas se tornou inesquecível porque sempre lembrarei da vez em que as máquinas da biblioteca me fizeram de gato e sapato). Diferente do Héracles, cujo valor eu consigo ver, mas que achei uma chatice, aqui eu achei o livro meio ruim, mas meio legal.
Nota: 2,75

Quadrinhos


Suicide Club - Usamaru Furuya
Baseado no filme homônimo, o mangá é sobre misteriosos suicídios coletivos de garotas pelo Japão. É um mangá um tanto depressivo e um pouquinho perturbador, mas bastante interessante. Me deu vontade de ver o filme.
Nota: 3,5


Você é minha mãe?: um drama em quadrinhos - Alison Bechdel
Nessa continuação de Fun Home, a autora conta sobre o relacionamento complicado com sua mãe, a criação de suas obras e seu interesse pela psicanálise, principalmente pelas ideia de Donald Winnicot. Uma coisa que me desagrada um pouco nos quadrinhos da autora é que às vezes ela foca demais em um conteúdo "teórico" (como a psicanálise e as obras de Virginia Woolf), o que deixa a leitura meio maçante.
Nota: 3,5

Animes


Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu: Sukeroku Futatabi-hen
Segunda temporada desse anime maravilhoso. Dessa vez, a série se detém sobre o Kikuhiko já estabelecido como mestre de rakugo e sobre a nova geração que busca manter a arte viva e em evolução. Eu tinha altas expectativas em relação a essa temporada porque a Konatsu aparece mais e ela é uma das minhas personagens preferidas, mas no geral gostei menos do que da primeira, talvez porque ela tenha me parecido menos coesa, sei lá. De qualquer forma, é um ótimo anime.
Nota: 4


Kuzu no Honkai
Anime sobre dois jovens que mantêm um namoro falso. Apaixonados por pessoas fora de seu alcance, eles tentam satisfazer seus desejos e aplacar a solidão um com o outro, mas descobrem que isso não dá lá muito certo. Achei interessante o anime mostrar relacionamentos não idealizados, com os adolescentes explorando sua sexualidade. A série apresenta vários personagens cheios de defeitos, alguns bastante desprezíveis, e durante boa parte da história achei que no final tudo daria errado, mas até que os personagens crescem um pouco e conseguem dar uma direção para suas vidas (só achei essa evolução rápida demais e não muito verossímil em alguns casos). O anime é muito viciante, tanto que assisti em pouco tempo.
Nota: 3,75

Filmes


Kimi no Na wa.
Depois de ler muito sobre o filme e sobre os recordes de bilheteria que ele bateu, finalmente assisti Kimi no Na wa, filme preferido de Shoma Uno. Não sou muito fã do diretor, Makoto Shinkai, porque às vezes ele vai para um lado sensível e poético que eu acho brega, mas como todo mundo disse que nesse filme temos um enredo mais bem definido, achei que talvez essa fosse minha chance de me deixar conquistar por um filme dele. A história é a de uma menina do campo e um menino da cidade que de repente passam a trocar de corpo. O filme é divertido e interessante, mas algumas coisas me incomodaram. Preferia que tivessem focado mais no relacionamento dos protagonistas antes do conflito surgir, porque achei o vínculo entre eles muito fraco. De resto, é um filme do Makoto Shinkai, então espere cenários deslumbrantes e céus maravilhosos. O relacionamento dos protagonistas, a distância entre eles, os monólogos dos personagens, também são algo bem Makoto Shinkai. Ou seja, gostei do filme, mas esperava um pouco mais depois de tudo o que ouvi.
Nota: 3,75


Hoshi no Koe
Falei mal do Shinkai, mas aqui estou eu assistindo a mais um filme dele (só assisti porque é curto, ok?). Esse foi o primeiro filme do diretor (acho) e é bastante impressionante porque ele fez o filme inteiro quase sozinho. Mas tirando isso, achei o filme meio chatinho. Como sempre, temos um casal como protagonista, dessa vez no futuro. A menina parte em uma missão espacial e continua a manter contato com o menino por mensagens de texto, mas à medida que ela se afasta mais da Terra, mais difícil é manter a comunicação. Os cenários são bonitos como sempre, mas o character design é bem feinho.
Nota: 2,75

Aquisições


Não comprei nada em maio, viva! O único livro novo foi História da menina perdida, que ganhei de aniversário da minha tia.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Patinação: destaques da temporada 2016/2017


Mais uma temporada chegou ao fim e mais uma vez vou escrever um post de retrospectiva gigantesco que não interessa a quase ninguém (mas eu adoro escrevê-los e adoro relê-los alguns anos depois).

Essa temporada de 2016-2017 é particularmente importante porque é a temporada pré-olímpica, ou seja, é a temporada em que os patinadores podem se arriscar um pouco mais, acrescentar elementos novos e fazer experimentações para ver o que funciona ou não, sempre com as Olimpíadas em mente.

Entre avanços do esporte, lesões, anúncios de aposentadoria, Fuji TV bloqueando vídeos no Youtube, ângulos de câmera estranhos, vitórias e derrotas, lágrimas e sorrisos, foi uma temporada bastante empolgante e foi, provavelmente, a temporada em que mais assisti a competições até o momento. Em geral me contento com os Grand Prix, Europeu, Four Continents e Mundial, mas dessa vez vi alguns Challengers, algumas competições júniores e um pouco dos principais nacionais. E quando não estava assistindo a alguma competição, estava lendo fóruns, vendo vídeos e fotos (e memes) relacionados ao esporte.

Nesses últimos meses, a patinação ganhou muitos fãs novos (graças a Yuri on Ice, eu suponho), então o fandom ficou bem mais agitado que de costume. E minha irmã também passou a acompanhar o esporte, as piadas e as fanfics ruins, o que torna tudo muito mais divertido. As Olimpíadas no ano que vem provavelmente vão provocar um aumento de popularidade temporário, e as coisas vão ficar mais agitadas, e consequentemente mais dramáticas. Vai ser uma temporada tensa e fora do comum, mas em vez de ficar falando do futuro, vamos lembrar o que aconteceu em 2016 e 2017.

Pares

Essa normalmente é minha categoria menos preferida. Os elementos são bastante arriscados, então sempre me dão uma certa aflição, e geralmente os pares mais fracos são bem fracos, do tipo que mal dá para assistir. Porém, nessa temporada, algumas vezes me vi mais interessada na competição de pares do que nas outras. Os patinadores estão fazendo elementos mais difíceis, mas acho que o que realmente torna a competição mais interessante é que os pares estão mostrando bastante personalidade e variedade em seus programas.

Programas / momentos preferidos


Esse par da Coreia do Norte em geral não participa de muitas competições, então sempre fico meio surpresa ao vê-los. Eles não são tão fortes tecnicamente, mas são bastante promissores considerando que ainda não têm tanta experiência. Gosto bastante desse programa e da energia que eles mantêm durante a apresentação. Adoro o death spiral no finalzinho, bem na cacofonia da música.


Peng e Jin são uma dupla formada nessa temporada, após a federação chinesa decidir fazer uma troca que deixou meio mundo chateado: as antigas duplas Yu/Jin e Peng/Zhang deram origem a Peng/Jin e Yu/Zhang. Teoricamente Yu/Zhang seriam os privilegiados da troca, pois são a união da patinadora mais consistente com o patinador mais experiente, mas Peng/Jin, mesmo ficando atrás nos resultados, mostraram que também são uma dupla forte. O programa curto deles é divertido e os dois mostram bastante carisma. Peng, que costumava ser muito inconsistente, melhorou bastante nessa temporada, parecendo bem à vontade e segura no gelo.


Essa dupla muitas vezes tem um estilo frio e sombrio que me agrada muito e os destaca dos demais, e esse programa é um exemplo disso. Gosto dos movimentos dos braços na coreografia e da elegância dos dois. Infelizmente, eles não participaram da temporada completa, portanto, apresentaram o programa poucas vezes e em todas elas tiveram algum erro. Espero que eles tenham coreografias no mesmo estilo na temporada que vem.


Savchenko / Massot - SP e FS - Mundial
Sempre gostei da Aliona Savchenko com seu ex-parceiro, Robin Szolkowy, e agora gosto dela com o Bruno Massot. Adorei os dois programas deles na temporada: o curto é divertido e dinâmico, o longo é lírico e delicado. O twist deles tem uma altura incrível e gosto como eles estão sempre se desafiando com elementos difíceis.


James / Cipres - SP e FS - World Team Trophy
Essa dupla evoluiu muito nessa temporada e essa evolução trouxe resultados: de uma dupla mediana, eles passaram a ter chances de medalhas nas grandes competições. Gostei muito dos programas deles, são modernos e bastante diferentes dos da maioria dos outros pares, com transições interessantes e elementos difíceis (nem sempre perfeitos, mas sempre impressionantes).


A música Blues for Klook sempre me lembra o programa longo do Daisuke Takahashi na temporada de 2011-12, um dos meus programas preferidos da vida. Por isso, quando soube que S/H iriam patiná-la, achei que, quando os visse, não conseguiria deixar de compará-los e não aproveitaria tanto as apresentações. Que bom que eu estava errada. Esse programa é incrível, mostrando muita atitude e conexão entre os dois patinadores. E o mais incrível é que eles tiveram ótimas performances mesmo após a Sui ficar meses de recuperação devido a uma cirurgia.

Ice dance

Antes da temporada começar, eu estava bem temerosa do que teríamos na dança curta, pois o ritmo seria blues e swing/hip hop. Algumas duplas arriscariam o hip hop e eu achava que o resultado seria desastroso. Avaliando agora, até que os programas não foram tão ruins quanto eu esperava. Com exceção de alguns programas que fizeram uma mistureba musical (Hubbel/Donohue, por exemplo), a maioria das duplas apresentou programas divertidos, apesar de não muito memoráveis.

Por outro lado, na dança livre a maioria dos patinadores apostou no estilo mais lírico que está em alta, ou seja, tivemos uma sequência de programas bonitos e muito agradáveis, mas que, um seguido do outro, parecem todos iguais. A dança é a categoria em que, na minha opinião, há maior conexão dos patinadores com a música e em que os elementos técnicos se mesclam melhor na coreografia. Por isso, acho mais fácil me encantar e me emocionar com um programa de dança do que com os de outras categorias. No entanto, nessa temporada não me apaixonei por nenhum programa. Cheguei a me envolver fortemente com partes dos programas de Papadakis/Cizeron e Virtue/Moir, mas nunca fui conquistada pelos programas completos. Foi uma temporada meio decepcionante nesse aspecto.

Programas / momentos preferidos


Não conheço muito bem essa dupla, mas gostei da escolha musical deles (trilha sonora do filme Micmacs, que não assisti, mas que pela música deve ser interessante, haha). Também gostei bastante de alguns dos levantamentos e de alguns elementos coreográficos.


Gilles / Poirier - SD (Mundial) e FD (Skate Canada)
Essa dupla sempre tem programas criativos e diferentes. Nem sempre eles funcionam muito bem, mas pelo menos fogem da mesmice. Nessa temporada, eles trouxeram um programa curto muito divertido no estilo disco e um tango elegante no longo. Gosto de como eles se comprometem com os papéis que estão representando e adoro alguns detalhes da coreografia, como os movimentos dos braços nos twizzles do programa curto e como eles incorporaram alguns movimentos de tango no longo.


Virtue / Moir - SD - Mundial
Um dos meus programas preferidos da temporada! Adoro a coreografia do começo, é tão rápida e com movimentos tão precisos. Também adoro a primeira step sequence, cheia de energia. E a Tessa é sempre fenomenal nesse programa! Quando soube que Virtue / Moir voltariam às competições depois de um hiato, não pus muita fé neles, mas que bom que eu estava errada. Só espero que na temporada que vem eles tenham programas mais na linha desse do que no estilo "casal fofo apaixonado olhando um para o outro com enlevo".

Feminino

Nessa temporada, Evgenia Medvedeva solidificou sua posição como a principal patinadora do mundo. Venceu com folga todas as competições de que participou e bateu recordes de pontuação. Além disso, conquistou muitos fãs com suas otakices e também conquistou uma boa porção de haters, cansados de suas coreografias cheias de mímicas. Ela não é minha patinadora preferida e não gostei de nenhum dos programas dela nessa temporada, mas a quantidade de ódio que vejo dirigida a ela às vezes me deixa desconfortável (não que eu não viva reclamando dela também, hahaha). O problema da dominância da Evgenia é que as competições ficam bem previsíveis. Se ela estiver competindo e não cometer nenhum erro gigantesco (e ela raramente comete), ela vai ganhar. O resto das patinadoras disputa a medalha de prata.

Por outro lado, a disputa pela prata foi bem interessante nessa temporada. Tivemos muitas concorrentes fortes, algumas surpresas positivas e outras negativas (Pogorilaya no mundial, lesão da Satoko, japonesas perdendo uma vaga no mundial...).

Momentos / programas preferidos


Laurine Lecavelier - SP - Europeu
Confesso que nunca tinha prestado muita atenção na Laurine antes dessa temporada, mas esse programa me conquistou. Adorei a música, a coreografia e a entrega dela ao patinar.


Ivett Toth - SP - Europeu
Outra patinadora de quem não lembro nada antes dessa temporada. Não sou muito fã do Michael Jackson, mas acho que a Ivett incorporou bem o estilo de dança dele no programa. Adoro a step sequence cheia de energia!


Gosto muito da coreografia desse programa, especialmente dos movimentos dos braços. Adoro a espiral e o spin final. O mais impressionante é que foi a própria Karen quem coreografou os programas dessa temporada. Parabéns para ela!


Anastasiia Gubanova - SP e FS - Campeonato nacional russo
Não costumo acompanhar as patinadoras júniores porque, mesmo que muitas vezes elas sejam tão ou mais fortes tecnicamente que as mais velhas, artisticamente elas geralmente deixam a desejar. Esse não é o caso da Anastasiia, que já demonstra uma boa musicalidade e muita elegância. O jeito que ela movimenta os braços é especialmente expressivo e gracioso. E eu sou fã das músicas do Abel Korzeniowski na patinação, então é óbvio que iria gostar do programa longo dela.


Kaetlyn Osmond - SP - Mundial
Fiquei bem contente com a evolução da Kaetlyn nessa temporada. Ela tem saltos enormes e muita velocidade e fluidez no gelo, e esse programa é um charme.


Zijun Li - SP - World Team Trophy
Gosto muito da Zijun e gostei de ver que ela foi razoavelmente consistente durante a temporada. Odiei que ela recebeu notas baixíssimas mesmo quando patinou bem. Esse é um dos casos em que eu realmente não entendo os juízes. Mesmo que ela não seja uma patinadora muito rápida e que às vezes aparenta cansaço no final dos programas, na parte artística, para mim, ela tem todo o resto, mas está óbvio que os juízes não acham o mesmo. O meu programa preferido dela foi o curto, que é mais animado e tem uma ótima step sequence, mas vale mencionar o longo também, que é bastante emocionante.


Satoko Miyahara - FS - Grand Prix Final
Esse é um dos programas preferidos de muitos fãs, e eu fico me perguntando o quanto disso é devido a ter uma música de Star Wars no meio, haha. Não sou fã de Star Wars, mas gostei de como as diferentes músicas (Star Wars e Planets do Holst) foram editadas, e sou fã da coreografia cheia de nuances e da interpretação da Satoko. Ela é uma patinadora leve e delicada, mas aqui ela mostra um pouco mais de força em alguns momentos. Infelizmente, ela sofreu uma lesão e não pôde competir na metade final da temporada, o que torna sua situação para a próxima temporada um pouco mais complicada. Espero que ela consiga uma vaga olímpica no ano que vem.


Wakaba Higuchi - SP - Mundial
Essa foi a primeira temporada da Wakaba como sênior, ou seja, foi a primeira temporada em que a vi competir. Ela é conhecida pela velocidade e pelos saltos, mas o que me surpreendeu bastante nela foi a maturidade da interpretação. Tudo o que ela faz parece natural, sem exageros. Eu adorei o programa curto (e fiquei viciada na música), mas a apresentação dela do longo no World Team Trophy também merece ser citada. Espero que ela tenha bons programas no futuro, que domine o triple axel e que seja mais consistente na temporada que vem.

Masculino

Se a temporada 2015-16 viu um grande aumento do conteúdo técnico, com quádruplos mais difíceis e mais abundantes, a temporada 2016-17 mostrou que os quádruplos estão aqui para ficar. A maioria dos patinadores que medalharam nas competições tinha dois quádruplos no programa curto e no mínimo três no longo. Isso significa que houve muitas quedas e "pops", mas também tivemos ótimas apresentações limpas ou quase limpas.

Enquanto nas outras categorias temos um ou dois favoritos e um resto imprevisível, nos homens um top 6 se delineou durante a temporada: Yuzuru, Shoma, Nathan, Javier, Boyang e Patrick. Com alguma variação aqui e ali, foram eles que ganharam a maioria das medalhas durante a temporada, se destacando dos demais seja pelo conteúdo técnico, pela qualidade dos elementos executados ou pela parte artística.

Programas / momentos preferidos


Misha Ge - FP - Mundial
O Misha anunciou que essa talvez seja sua última temporada, e isso adicionou um tom agridoce à sua apresentação no mundial. Com um programa mais clássico, ele mostrou postura e braços baléticos em uma apresentação limpa e elegante. Se tenho algo a criticar, é que ele parecia um tanto contido durante a maior parte do programa, só mostrando seu lado dramático mais para o final.


Para mim, o Kevin tem um estilo bem francês (pena que não sei muito bem como explicar o que é um estilo francês, haha). Infelizmente ele não é muito consistente, mas gosto do estilo dele e ele tem personalidade, se destacando da maioria dos júniores.


Patrick Chan - SP - Mundial
É engraçado que eu costumava odiar o Patrick, porque hoje ele é um dos patinadores que eu mais gosto de ver no gelo. Ele patina de uma maneira muito leve e fluida, que, mesmo quando ele comete erros, é muito agradável de se assistir. Esse programa curto se torna mais agradável ainda porque a música é dos Beatles.


Yuzuru Hanyu - FP - Mundial
Quando foi anunciado que o Yuzuru ia patinar Joe Hisaishi, eu fiquei muito feliz. Amo esse compositor e, mesmo não sendo uma música que eu já conhecesse, achei que combinaria perfeitamente com o estilo do Yuzuru. No entanto, durante a temporada toda, sofri do mal de não conseguir me conectar muito com o programa. Não sei se foi a coreografia, a interpretação ou apenas as minhas altas expectativas. No entanto, não tenho como negar que no mundial a apresentação dele foi quase perfeita e que foi um momento bastante emocionante e empolgante para todos que acompanharam a temporada e as dificuldades do Yuzuru até então. É bem raro vermos apresentações tão difíceis e tão bem executadas, e essa será uma das que entrará para a história.


Adam Rippon - FP - Skate America
Não sou muito fã do Coldplay, mas em geral as músicas da banda dão bons programas de patinação. Gosto bastante dos movimentos de pássaro que o Adam faz no início e no fim da coreografia. Infelizmente, o Adam se machucou e ficou fora da segunda metade da temporada, porém, ele vai manter esse programa na próxima temporada, e espero que ele tenha sucesso com ele.


Shoma Uno - FP - Mundial
Quando soube qual seria a música do programa livre do Shoma, não coloquei muita fé. Achei que ele não combinava muito com tango e que não tinha maturidade suficiente para interpretar a música. Quando o vi apresentar o programa em um show, achei meio fraco. Quando vi o programa no Skate America, fui completamente conquistada. Gosto dos movimentos bastante precisos, na batida da música, no início do programa, além da forma como ele utiliza os braços. Gosto da intensidade da interpretação. Gosto do momento de alguns dos saltos, como o primeiro triple axel bem no som do violino, na transição entre as músicas, e a combinação de três saltos no segundo refrão. E fiquei meio viciada na música, até decorei alguns versos, haha. Foi incrível assistir à evolução desse programa durante a temporada e fiquei muito feliz em ver como o Shoma cresceu como intérprete e mostrou que eu estava errada em não acreditar nele.

Randomicidades preferidas


Momentos Yuzusho

Sempre gosto de ver as interações entre Shoma e Yuzuru (ok, gosto de ver as interações entre Shoma e qualquer um), principalmente porque o Shoma parece ser um cara meio tímido e perdido. Antes dessa temporada, a dinâmica entre eles era basicamente: Yuzuru apertando as bochechas do Shoma ou bagunçando o cabelo dele enquanto Shoma tentava fugir. Nessa temporada, as coisas continuam meio parecidas, mas o Shoma parece mais à vontade. E com mais pódios conjuntos, exibições, entrevistas e o World Team Trophy, tivemos muitos momentos de interação entre os dois, desde a já clássica piada do casamento a várias trocas de elogios, passando por bolos, conversas e reações de um assistindo ao outro.


World Team Trophy

Melhor competição! O World Team Trophy é uma competição por equipes que não se leva muito a sério. É no final da temporada, todos estão cansados, então acho que muitos a encaram como uma última chance de mostrar seus programas, mas se você for mal, tudo bem, segue em frente. A melhor coisa do WTT, no entanto, é o kiss and cry com todos os membros da equipe reunidos, muitas vezes com chapéus e fantasias divertidos, fazendo encenações ou dancinhas.


Boyang

Boyang Jin, rei dos livestreams! Posso não ser a maior fã dele como patinador (e não, não gosto tanto do programa do Homem Aranha quanto a maioria das pessoas parece gostar), mas sou muito fã da sua personalidade divertida, seja ao fazer longos livestreams em que ele basicamente fica comendo ou andando por aí e mostrando sua cútis perfeita, seja ao treinar seus elementos de pares com o Yang Jin. Me sinto muito triste por não saber chinês e não poder entender o que ele fala.


Galas e pódios divertidos

Sempre é legal ver os patinadores em momentos mais descontraídos. Entre as exibições de gala que achei mais divertidas estão a do Four Continents, especialmente quando as flower girls enxamearam ao redor do Yuzuru e acabaram expulsando o Shoma, a do Mundial Júnior, com os patinadores se jogando no gelo ou fazendo levantamentos e espirais juntos, e a do World Team Trophy, principalmente na apresentação final, quando a Evgenia caiu e o Yuzuru fez a maior cara de chocado, e depois eles e o Shoma pularam juntos e fizeram headbanging. O pódio mais divertido provavelmente foi o masculino do Asian Winter Games, em que os patinadores pareciam completamente perdidos.

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E assim encerramos a temporada! Daqui a alguns meses tudo começa novamente, com novos programas (e muitos não tão novos assim -_-), mais competições, novas polêmicas e, claro, muito drama.

sábado, 13 de maio de 2017

Mangá: O homem que foge (Nigeru Otoko)

Título: O homem que foge
Título original: Nigeru Otoko (逃げる男)
Autora: Natsume Ono
Editora: JBC
Tradutor: Edward Kondo

Já fazia um bom tempo que eu queria ler algo da Natsume Ono. A autora é mais conhecida pelos seus mangás adaptados para anime: Ristorante Paradiso, Saraiya Goyou e ACCA 13. À primeira vista, eles se destacam pelo character design peculiar e único, que atrai alguns, mas que pode fazer outros torcerem o nariz. No entanto, no meio de um mar de animes/mangás semelhantes, é sempre bom ver alguns que parecem diferentes.

A estreia da autora aqui no Brasil supostamente seria com mangá Not Simple, anunciado pela L&PM já faz alguns anos. Entretanto, o tempo passou e nada do mangá ser lançado, para a frustração dos leitores. Felizmente a JBC decidiu apostar na autora e lançou O homem que foge. Eu e a Lulu do blog Lulunettes fizemos uma leitura compartilhada do mangá, e vocês podem ler as impressões dela aqui.


Esse mangá se inicia com uma história contada para as crianças sobre um urso que vive na floresta. Ele só pode ser visto por crianças e, se alguém passar um dia inteiro com ele e sair da floresta em segurança, terá um desejo realizado. Com essa história em mente, uma jovem decide entrar na floresta e lá encontra o tal urso.

No entanto, esse conto de fadas inicial é apenas o pretexto para conhecermos o protagonista da obra, um homem que se isolou na floresta para fugir de uma responsabilidade e tentar proteger uma pessoa. Assim, apesar de pela sinopse o mangá ser vendido como uma espécie de contos de fadas para adultos, ele é uma história mais realista, sobre a fuga, o peso das decisões e a dificuldade de se lidar com a vida e com as outras pessoas.

Não sei muito bem se foi porque fui com a expectativa de encontrar um conto de fadas ou se foi apenas porque tinha altas expectativas, mas a verdade é que não gostei tanto do mangá quanto esperava. Não sei explicar o que me desagradou além de que achei a história um pouco mais vaga do que eu gostaria.


Por outro lado, o traço da autora é um dos grandes atrativos da obra. Ono tem um estilo que destoa da arte mais convencional dos mangás e que às vezes lembra graphic novels europeias/americanas. Gosto muito do traço meio rabiscado, que dá a impressão de algo simples, rústico e sofisticado ao mesmo tempo, seja na paisagem sombria da floresta, nas feições dos personagens ou na expressividade do urso.

Apesar de O homem que foge não ser tudo aquilo que eu esperava, gostei do mangá e fiquei com ainda mais vontade de conhecer as outras obras da autora. Fico muito feliz que a JBC tenha apostado em um título não tão conhecido e espero que ela e as outras editoras sigam nesse caminho. E, claro, espero que Not Simple seja publicado aqui um dia.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Randomicidades do mês: abril/2017

Abril foi um mês meio morto que passou rápido demais. Não li muito, mas também não li pouco. Não assisti nada e só comprei um livro (isso é uma vitória, principalmente se levarmos em consideração o número de compras de março).

Livros lidos


Oblómov - Ivan Gontcharóv
Neste clássico russo, o protagonista é um nobre que vive das rendas de sua propriedade e passa os dias no mais puro ócio. Ele tem preguiça de sair da cama, de sair de casa, de fazer algo para resolver seus problemas. Ou seja, é um personagem com quem é fácil de se identificar (exceto na parte da nobreza). Incentivado por um amigo, ele tenta mudar de comportamento, mas é difícil modificar velhos hábitos e, quando vê, ele já está mergulhado na preguiça novamente. O livro é bastante longo, e achei meio cansativo mais para o meio/final. A inércia e a ingenuidade do protagonista às vezes irritam um pouco, mas muitas vezes elas geram momentos engraçados. E às vezes geram momentos tristes.
Nota: 3,5


Um cometa na terra dos moomins - Tove Jansson
Eu amo os moomins! Nesse livro, um cometa surge no céu e ameaça o Vale dos Moomins. Moomintroll parte então rumo a um observatório para consultar os astrônomos a respeito do cometa, passando por paisagens estranhas e conhecendo novos amigos. O que mais gosto nos moomins é sua ingenuidade fofa e meio sem noção, mas o que mais gostei desse livro foi toda a situação apocalíptica, com seus cenários inquietantes e criaturas em fuga.
Nota: 4


O penúltimo perigo - Lemony Snicket
Dessa releitura que estou fazendo, esse volume é um dos que eu menos lembrava. Relê-lo foi bastante surpreendente, e adorei reencontrar tantos personagens dos volumes anteriores. Apesar de ele ser o penúltimo livro, ele é meio que uma conclusão, apresentando resolução (no estilo de Desventuras, ou seja, sem esclarecer nada) a alguns dos enredos da série. Foi um dos meus volumes preferidos dessa releitura.
Nota: 4,25

 

A viagem vertical - Enrique Vila-Matas
Lido para o Desafio Livrada! na categoria "personagem detestável". Estou sem paciência para escrever uma resenha em post separado (e não tenho muito a dizer sobre o livro, para ser sincera), então vou escrever aqui mesmo. O protagonista é um homem  de meia-idade bem-sucedido, mas que nunca teve a oportunidade de estudar devido à guerra civil. Quando ele achava que a vida que ele construiu seguiria sem turbulências, sua mulher o expulsa de casa, o que o faz iniciar uma viagem cada vez mais para o sul. Esse foi o primeiro livro do Vila-Matas que li e, no geral, achei ok, nada muito empolgante. O classifiquei como "personagem detestável" no desafio porque o protagonista é bastante irritante, principalmente no começo, mas não é nada que te faça querer dar uns tapas na cara dele.
Nota: 3


Vida encantada - Diana Wynne Jones
Primeiro livro da série Os mundos de Crestomanci. Ele apresenta dois irmãos, uma menina bruxa e um menino aparentemente comum, que vão morar na mansão encantada de Crestomanci, onde aprendem muito sobre magia e sobre eles mesmos e aprontam altas confusões. Gosto muito do estilo da autora e das reviravoltas nas histórias dela. Como esse livro é mais introdutório, ele não apresenta um enredo tão arrebatador, mas introduz elementos interessantes que deixam o leitor curioso para os livros seguintes.
Nota: 3,5


A extraordinária garota chamada Estrela - Jerry Spinelli
Livro YA sobre um garoto que conhece uma garota bastante diferente do resto dos alunos da escola. Ela se veste de maneira diferente, é espontânea, canta parabéns para quem nem conhece, leva seu rato de estimação para onde quer que vá. No começo ele a despreza um pouco, mas aos poucos vai se encantando por ela. É um livro bonitinho, gostoso de ler, mas não muito mais que isso. O protagonista é meio chato e a garota não me parece uma pessoa muito real.
Nota: 3

Quadrinhos


O enterro das minhas ex - Gaulthier
Essa graphic novel autobiográfica mostra o despertar da atração da autora por meninas e os primeiros relacionamentos dela, desde a fascinação na infância pela colega descolada que anda com os meninos até a paixão pela melhor amiga. A arte é simples e agradável, e a história é bem interessante.
Nota: 3,5


O homem que foge - Natsume Ono
Escreverei sobre ele mais tarde.
Nota: 3,5
Aquisições


Só comprei esse mangá, que eu queria já faz um tempo e precisei comprar em uma banca física porque estava difícil de encontrar na internet. Ouvi vários elogios a ele, então estou curiosa.