sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Volta ao mundo em 80 livros - Impressões de leitura (2ª parte)

Depois de um bom tempo procrastinando, finalmente escrevo minhas impressões de leitura dos livros que li até agora para meu projeto. O curioso é que essas impressões foram escritas meses depois das leituras, então não são exatamente fiéis ao que senti quando estava lendo ou logo ao terminar de ler.

Submarino - Joe Dunthorne (País de Gales)
Tenho esse livro faz um tempão, mas hesitei antes de ler. Minha irmã tinha lido e não gostou muito, então fiquei com um pé atrás, mas para mim a leitura foi bem agradável, o livro é divertido e, apesar de não ter nada de muito especial, achei melhor que muitos outros livros de adolescente que li.



Ojos de perro azul - Gabriel Garcia Marquez (Colômbia)
Meu primeiro livro em espanhol! Infelizmente meu espanhol não é bom o suficiente para me permitir uma leitura fluida como em português ou mesmo inglês, mas até que deu certo. É um livro de contos e não achei nenhum deles especialmente marcante, mas não deixam de ser bons.


Grotescas - Natsuo Kirino (Japão)


The Speckled People - Hugo Hamilton (Irlanda)
Lido para a faculdade, é sobre a infância do autor na Irlanda. Gostei bastante do livro, mas ler para a faculdade, sabendo que depois terei prova/trabalho sobre isso, sempre prejudica o prazer da leitura, não acham?



Haroun e o Mar de Histórias - Salman Rushdie (Índia)
Meu primeiro contato com a literatura do Rushdie. Eu esperava mais, não sei. Li resenhas muito positivas desse livro e ele parecia ser a minha cara, mas no final foi uma leitura apenas okay.




Velhas Estórias - Luandino Vieira (Angola)

É um livro de contos. Pelo que me lembro, contos meio longos e bem difíceis de ler se você não está acostumado ao estilo do autor (eu não estou), mas a dificuldade faz parte e aumenta a satisfação ao final (ou não).




The Progress of Love - Alice Munro (Canadá)

Mais um livro de contos, desta vez da autora premiada com o Nobel este ano, uhul! Esse livro reúne um bom número de contos (não me lembro quantos), o que achei que prejudica o conjunto da obra se você pretende ler um atrás do outro, porque são todos meio parecidos, em geral sobre pessoas velhas que relembram a juventude e coisas assim. Pelo menos um conto memorável: um sobre uns caras que iam patinar no gelo (é claro que seria esse o memorável).


A manta do soldado - Lídia Jorge (Portugal)



Disgrace - J. M. Coetzee (África do Sul)

Meu primeiro contato com a literatura do Coetzee. Eu esperava mais, não sei. Li para a faculdade e ele também sofreu da síndrome da "leitura avaliada", assim como o The Speckled People.







(quando digo essas coisas como "esperava mais", "não tem nada muito especial" etc. não quer dizer que não gostei do livro ou achei mediano. Em geral eu gostei, às vezes gostei bastante, mas as expectativas às vezes me fazem esperar demais, achar que vai ser o livro da minha vida ou algo assim.)


Por enquanto, li livros de 15 países diferentes desde 27 de abril de 2013.
Comecei variando bastante, mas nos últimos meses só tenho lido livros de países repetidos... Dicas de livros de países diferentes?

Desafio Literário: Conto de Natal de Auggie Wren

Título: Conto de Natal de Auggie Wren
Autor: Paul Auster
Ilustradora: Isol
Editora: Cia. das Letras

Depois disso, passei alguns dias em desespero, lutando contra os fantasmas de Dickens, O. Henry e outros mestres do espírito natalino. A mera expressão "conto de Natal" tinha associações desagradáveis para mim, evocava aterradoras efusões de sentimentalismo hipócrita e bobagens melosas. (...) No entanto, como alguém poderia se propor a escrever um conto de Natal que não fosse sentimental? Era uma contradição nos próprios termos, uma impossibilidade, um enigma insolúvel. (p.22)

Como já disse na minha resenha anterior, não gosto de Natal. No entanto, tive que ler mais de um livro com o tema, porque como poderia resistir a esse livro ilustrado charmoso?

O Auggie Wren do título é funcionário de uma tabacaria e tem o costume de tirar fotos de um mesmo lugar, na mesma hora do dia, todos os dias. Ele se tornou amigo do escritor, frequentador da tabacaria, e quando o escritor recebe a tarefa de escrever um conto de Natal e não sabe como fugir do sentimentalismo meloso típico desse tipo de história, Auggie promete narrar ao amigo um conto de Natal surpreendente e verdadeiro, que aconteceu com ele.

O livro é uma graça, mas fiquei meio decepcionada com a história narrada por Auggie. Acho que fiquei muito animada com essa coisa das fotos do mesmo lugar e esperava que isso tivesse mais importância no conto...

As ilustrações são muito interessantes e a edição está bonita e caprichada.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Desafio Literário: A aventura do pudim de Natal

Título: A aventura do pudim de Natal
Autora: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira

Vamos começar falando que eu não ligo muito para o Natal. Aqui em casa faz tempo que não temos mais o hábito de montar árvore, enfeitar a casa etc. e não comemoramos a data muito efusivamente mesmo nos encontros familiares. Claro que gosto de ganhar presentes, mas acho que estou ficando velha e nem isso consegue me alegrar muito (talvez porque eu quase só ganhe roupas...). E as comidas tradicionais de Natal são tão sem graça. :/

Dito isso, achei o tema do DL deste mês bem chato. Mas desafio é desafio...

Escolhi "A aventura do pudim de natal" pelo título, que me faz imaginar um pudim vivendo altas aventuras. Mas, que decepção, não é nada disso. O livro reúne seis contos da autora, cinco protagonizados pelo detetive Poirot e um pela Miss Marple. Os contos são: "A aventura do pudim de Natal", "O mistério do baú espanhol", "O reprimido", "O caso das amoras pretas", "O sonho" e "A extravagância de Greenshaw".

Peguei o livro na biblioteca achando que seria um romance e só descobri mais tarde que eram contos. Destes, só um trata do Natal, mas acho que é uma leitura válida para o Desafio mesmo assim, não?

Em "A aventura do pudim de Natal", Poirot é convocado para investigar o roubo de um valioso rubi e, para realizar a investigação, passa um período em uma casa de campo, em um típico Natal inglês, que inclui o tal pudim de passas.

No geral achei os crimes e suas resoluções mirabolantes demais para o meu gosto. Não sei se estou mal acostumada com o gênero policial ou se é um problema dos contos em si, mas me pareceu que muitos dos crimes só deram certo por sorte e foram solucionados quase por acaso, baseados em suposições muito vagas. E (spoiler!) precisa ter tantas pessoas se passando por outras? Não achei isso nada convincente!

Mas, apesar de tudo, o livro foi um bom entretenimento e no momento é isso o que importa.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Desafio Literário - The Handmaid's Tale

Título: The Handmaid's Tale
Autora: Margaret Atwood
Editora: Seal Books

I wipe my sleeve across my face. Once I wouldn't have done that, for fear of smearing, but now nothing comes off. Whatever expression is there, unseen by me, is real.
You'll have to forgive me. I'm a refugee from the past, and like other refugees I go over the customs and habits of being I've left or been forced to leave behind me, and it all seems just as quaint, from here, and I am just as obsessive about it. Like a White Russian drinking tea in paris, marooned in the twentieth century, I wander back, try to regain those distant pathways; I become too maudlin, lose myself. Weep. Weeping is what it is, not crying. I sit in this chair and ooze like a sponge.
So. More waiting. Lady in waiting: that's what they used to call those stores where you could buy maternity clothes. Woman in waiting sounds more like someone in a train station. Waiting is also a place: it is wherever you wait. For me it's this room. I am a blank, here, between parentheses. Between other people. (p. 213)


The Handmaid's Tale (O conto da aia em português) é um romance distópico e, não sei quanto a vocês, mas eu adoro distopias e só esse mero fato já foi suficiente para despertar meu interesse no livro.

A história se passa em Gilead, ex-EUA, uma sociedade totalitária dominada pela religião. Nessa sociedade, as mulheres vivem sob intenso controle e são divididas em várias categorias que representam sua função social: esposas, marthas, aias. A protagonista é Offred, uma aia, responsável por gerar filhos para a elite.

O romance é construído de maneira instigante, revelando pouco a pouco sobre os personagens e a sociedade a qual pertencem. É desses que dá vontade de ler em um fôlego só.

O que achei interessante e que difere de outros romances distópicos que já li é que o livro cria uma sociedade que sofreu mudanças recentemente, portanto os adultos que nela vivem se lembram como as coisas eram antes e podem refletir sobre a mudança.

O livro foi banido por várias razões, aquelas de sempre: sexo, críticas ao cristianismo etc. Aqui tem algumas das críticas e razões para não adotar o livro no ensino médio, que eu achei bem hilárias: http://www.sibbap.org/thehandmaidstale.htm

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Desafio literário - Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente

Título: Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente
Autor: Sherman Alexie
Editora: Galera Record

Ser pobre é um saco, e é um saco saber que, de alguma forma, você merece ser pobre. O cara começa acreditando que é pobre porque é burro e feio. Depois começa a acreditar que é burro e feio porque é índio. E como o cara é índio, ele começa a acreditar que está destinado a ser pobre. É um círculo feio e o cara não pode fazer nada para sair dele. (p. 25)
O tema deste mês, histórias de superação, não é lá do meu agrado, mas felizmente é um tema fácil e calhou de o livro que eu estava lendo se encaixar nele. Ouvi falar desse livro pela primeira vez faz tempo, no jornal, mas ele não conseguiu me motivar o suficiente para comprá-lo, até que uma promoção das Lojas Americanas me permitiu comprar por apenas 5 reais, e assim ele veio parar nas minhas mãos.

Arnold Spirit Junior é um adolescente constantemente zoado pelos colegas. Ele é um índio e vive em uma reserva pobre. Aos 14 anos ele percebe que não teria um bom futuro se permanecesse na escola da reserva e decide mudar para a escola da cidade próxima, de brancos. Sua atitude é vista como traição pela maior parte de seu povo, inclusive seu melhor amigo, e na escola nova, ele é visto como o esquisitão. Mas Junior é persistente e aos poucos vai mudando a opinião das pessoas e conquistando seu espaço.

O livro é escrito na forma de diário, cheio de desenhos engraçadinhos feitos pelo próprio Junior. É um livro engraçado em alguns momentos, com um estilo leve e zombeteiro, mas também bem triste. Junior passa por muitos momentos difíceis e a situação da reserva indígena é complicada, com a pobreza, o alcoolismo e muitas mortes. Junior pode ter conseguido superar parte de suas dificuldades (de modo até meio fácil demais, no caso de sua adaptação na escola de brancos), mas o livro não aponta para um final muito esperançoso para a reserva e todos os índios de lá.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Desafio literário - A manta do soldado

Título: A manta do soldado
Autora: Lídia Jorge
Editora: Record

A narradora sem nome é filha de Walter Dias, o soldado, o desenhador de pássaros, a ovelha negra da família, que não tomava juízo e não parava quieto, que engravidou Maria Ema e foi embora, deixando a mulher casar com o irmão. A narradora espera pelo pai que também é tio e o convoca mentalmente, refletindo sobre ele e sobre o que ele lhe deixou, enquanto à sua volta a família e sua propriedade rural decaem.

Esse livro não estava na minha lista inicial, eu pretendia ler outro da autora, que tenho aqui mas ainda não li, mas ao chegar na biblioteca ele foi o único que realmente me chamou a atenção e dei tchau para a sensatez de ler o que já tenho. Tem algo nos romances sobre família decadentes que me atrai (e o fato de compararem a autora ao Faulkner na orelha me pareceu promissor).

O estilo da autora é bem poético e fragmentado, chegando a ser confuso no início. Isso tem grandes chances de não me agradar, mas nesse caso eu achei bom. É um livro que te conquista pelo estilo e não pelo enredo.

O livro é bem lento, tanto que levei umas duas semanas para ler. Acho que esse é o tipo de livro que fica melhor apreciado aos poucos.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Desafio literário - A vingança da Cagliostro

Título: Arsène Lupin - A vingança da Cagliostro
Autor: Maurice Leblanc
Editora: Nova Fronteira

Lupin é um famoso ladrão que às vezes emprega seu grande conhecimento para ajudar a polícia a solucionar crimes. Dessa vez ele se envolve em um crime sem querer, pois só estava tentando afanar uma quantia polpuda de dinheiro, e acaba se enredando no mistério de um crime duplo, cujo possível culpado é seu possível filho.

Esse foi o segundo livro do Arsène Lupin que leio, mas pouco ou nada me lembro do primeiro (Ladrão de casaca), na verdade nem lembrava que Lupin agia como detetive e não só como ladrão.

A leitura foi divertida. Fazia tempo que eu não lia um romance policial, e foi muito empolgante ir descobrindo sobre o caso. Lupin é um protagonista muito carismático, com sua esperteza e sua vida dupla de ladrão e senhor respeitável. A única tristeza é que esse livro remete a outro, A condessa de Cagliostro, e ter lido o primeiro tornaria a história pessoal de Lupin muito mais interessante.

Mas pretendo ler outros livros de Lupin e assistir aos filmes do Lupin III (não sei o quanto eles se relacionam aos livros. Alguém já viu e sabe dizer?). Na verdade, eu devia mesmo é ler mais romances policiais, é tão divertido. :)

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Desafio Literário - Grotescas

Título: Grotescas
Autora: Natsuo Kirino
Editora: Rocco

Quando comecei a ler o livro não esperava que ele fosse válido para o tema do mês, vingança, mas aos poucos a história foi se revelando e no final acho que ele pode se encaixar aqui, sim. Ele tem a vingança como um dos fatores por trás de algumas decisões dos personagens, mas não apresenta nenhum ato grandioso de vingança contra alguém.

Não gosto de escrever sinopses, então vai algo bem mal feito: o livro parte do assassinato de Yuriko e Kazue, prostitutas, que tinham em comum o fato de terem estudado no mesmo colégio de elite. A partir disso a autora reconstitui a vida das duas e da irmã de Yuriko, que foi colega de Kazue na escola. Yuriko é assustadoramente bela e sua irmã é feia. A irmã se ressente da beleza da outra e vai cultivando seu rancor e sua maldade, fazendo de tudo para ficar a distância dela. Já Kazue é esforçada e acredita que se der o seu máximo será recompensada, mas sua experiência no colégio prova o contrário.

O romance mistura a narração da irmã de Yuriko com os diários de Yuriko, de Kazue e o relato de Zhang, o acusado de matar as duas prostitutas. Achei esse um ponto positivo no livro, pois os relatos por vezes se contradizem e mostram como os personagens têm uma visão deformada de si.

Assim como no outro livro que li da autora, Real World, os personagens são exagerados, e apesar de gerarem certa pena e talvez até identificação, no geral o que senti foi repugnância (de uma maneira positiva, eu suponho. Acho que gosto de coisas grotescas). É muito ódio e ressentimento, é tudo cruel, feio e sórdido. Mas é a vida, não é?


terça-feira, 23 de julho de 2013

Minha estante (parte 2)

Fiz a primeira parte desse post no ano passado e só agora estou dando continuidade...

O legal é que em um ano vários livros novos chegaram e eu não vou ter paciência de colocar aqui. E, além disso, provavelmente ainda vai ter uma terceira parte que, do jeito que eu sou, só deve ficar pronta ano que vem!

YA?
Confissões de uma banda (vol. 1 e 2) - Nina Malkin: Na época em que comprei esses livros eu era mais interessada em bandas, agora eu gosto de música, mas não me importo muito com os músicos em si, com as historias de bastidores e tal, então provavelmente não me interessaria por esse livro. Mas ele é gostoso de ler, apesar de alguns personagens insuportáveis.
Nick & Norah - Rachel Cohn & David Levithan: Livro muito simpático. O filme é simpático também.
Jogo da velha - Malorie Blackman: Comprei por dez reais em uma promoção do Submarino. Acho interessante a ideia de inverter os papéis e tornar os negros o grupo hegemônico e os brancos os discriminados. Mas o livro não me agradou tanto assim para eu investir nas continuações.
Submarino - Joe Dunthorne: Ainda não li. Dei de presente para a minha irmã, eu acho.
Crepúsculo e Lua Nova - Stephenie Meyer: Pois é, eu tenho dois livros disso aí. É meio que um caso de amor e ódio (amor talvez seja intenso demais, eu apenas gosto no sentido de acho divertido ler e rio muito de algumas coisas).

Livros sobre jovens
O apanhador no campo de centeio - J. D. Salinger: Essa edição é da minha irmã, a que eu li foi em inglês, já faz um tempinho. Preciso reler.
Indignação - Philip Roth: Mais um da minha irmã. Gosto muito do Roth. :)
Espere a primavera, Bandini: Ok, todos desta seção são da minha irmã. E esse é mais um que preciso reler.

Algo une esses livros, só não sei o quê.
O menino do pijama listrado, O garoto no convés e O Palácio de Inverno - John Boyne: Não sou super fã do autor, mas gosto bastante e os livros acabaram chegando na minha estante por vias além da minha vontade (não que eu reclame). Desses aí gosto menos de O garoto no convés
Cidade de ladrões - David Benioff: Em geral romances históricos não me atraem, mas esse eu achei muito legal, graças ao amigo do protagonista e seu sabujo no pátio.
A fantástica vida breve de Oscar Wao - Junot Diaz: É da minha irmã e gostei muito quando li. Agora já não lembro mais muita coisa, mais um que preciso reler.
A menina que roubava livros e Eu sou o mensageiro - Marcus Zusak: Gosto muito do estilo do Zusak e gosto igualmente dos dois livros, apesar de eles serem muito diferentes.
Tirando Oscar Wao, todos livros dessa seção foram ganhados (e um foi uma troca). :)
Outra coisa que os une: boa parte deles é meio que romance histórico.

Ian McEwan tem sua própria seção!
Amsterdam: É um livro legal. Ele me parece mais leve que boa parte da obra posterior do autor, tem aquele tom de leitura despretensiosa no fim da tarde, sei lá.
Atonement: Amo! Ganhei da minha mãe. Quando li pela primeira vez, tive dificuldades (pelo inglês ou por motivos externos, não sei) e acabei não gostando tanto. Mas quando reli foi apaixonante.
Solar: Tem boas passagens, mas não gostei tanto quanto eu esperava.
Na praia: Foi o primeiro McEwan que li, ganhei da mamãe sem motivo aparente (adoro quando isso acontece!). Ele é bem parado e melancólico, e fez eu me apaixonar pelo estilo do autor.
Sábado: Comprei no sebo da escola da minha irmã. Talvez seja meu "despreferido" dos McEwan que li, é paradão e o protagonista é um médico.


Três contos - Gustave Flaubert: Ainda não li, é da minha irmã.
Madame Bovary - Gustave Flaubert: Tem resenha aqui, quando li para o DL (nomes próprios). Não me empolgou muito.
A revolução dos bichos - George Orwell: Preciso estudar a Revolução Russa e reler.
O turista acidental e A escada dos anos - Anne Tyler: Li primeiro A escada dos anos e amei (acho que me identifico com protagonistas em uma crise de meia-idade, haha), o que me levou a buscar outros livros da autora, mas acabei não gostando tanto dos outros que li. :/
Fahrenheit 451 - Ray Bradbury: Gostei muito. (sou só eu que achei o filme chato?)


Cornelia Funke também tem sua própria seção!
Coração de tinta, Inkspell, Morte de tinta: Adoro Coração de Tinta mas me decepcionei um pouco com os livros seguintes. Acho que a maior parte da graça para mim estava em ter os personagens fantásticos em nosso mundo. O Mundo de Tinta nunca conseguiu me conquistar u_u. E tenho trauma do Inkspell, eu estava lendo, olhei para o dia ensolarado lá fora, fiquei meio atordoada, e quando voltei a ler descobri que não conseguia entender inglês! Foi meio desesperador, mas no final acho que foi só uma enxaqueca (e eu vomitei mais tarde quando estava assistindo Lost, rs. Comentário desnecessário e deselegante, mas eu sou assim mesmo).
O cavaleiro do dragão: Livro bonitinho e é isso. É tão relevante que não me lembro de nada da história.
O senhor dos ladrões: Um dos livros que escolhi sem saber nada dele e acertei em cheio (neste caso, escolhi pela lombada!).
Roald Dahl e outros queridos
A girafa, o pelicano e eu, Raposas e fazendeiros, Boy, The magic finger, A taste of the unexpected, Beijo, A Roald Dahl Treasury e Matilda - Roald Dahl: Um dos meus sonhos era ter uma coleção do Roald Dahl com no mínimo todos os livros na edição da Puffin (o que tem "Roald Dahl" escrito na lateral), mas acho exagero ter mais de uma edição do mesmo livro, então vou ficar com minha coleção toda desconjuntada mesmo. Engraçado que eu não tenho bem alguns dos mais conhecidos (Fantástica fábrica, As bruxas, James), mas acontece que li a maioria na biblioteca e por enquanto não vejo motivos fortes para tê-los (mentira, quero reler todos!). O The Roald Dahl Treasury reúne vários textos do autor, mas no caso dos livros mais longos, ele só mostra trechos selecionados. A Taste of the Unexpected é uma edição comemorativa e reúne alguns contos do Dahl. Beijo, também é um livro de contos.
O outono do álamo - Kazumi Yumoto: Livro lindo, delicado e melancólico.
Contos da Rua Brocá e Nuno 100 Novidades - Pierre Gripari: Os contos da Rua Brocá eram sucesso garantido lá na primeira série, a gente ficava cantando "bruxa vagabunda cuide bem da sua..." (sempre deixando o final de fora, é claro, porque senão a bruxa ia aparecer). É desses livros engraçados e inventivos que toda criança precisa ler. Nuno 100 novidades também é cheio de criações curiosas e é uma delícia de livro.

Por hoje é só. O resto fica para depois (talvez amanhã).

Desafio Literário - O Caderno Vermelho

Título: O caderno vermelho
Autor: Paul Auster
Editora: Companhia das Letras

Gosto muito do Paul Auster, que foi um autor que descobri ao acaso há alguns anos, ao escolher minhas leituras aleatoriamente entre os livros do meu pai. Dito isso, O caderno vermelho não foi um dos meus preferidos dele.

O livro reúne quatro contos em que o acaso tem um papel fundamental. São coincidências estranhas e surpreendentes que o autor diz terem acontecido de verdade, como o caso do amigo que chega inesperadamente bem quando ele e a mulher estão morrendo de fome, sem dinheiro e com uma torta de cebola queimada, ou da frase de uma música anotada em um papelzinho no livro que ele acabou de receber do amigo poeta, que é a mesma frase que sua filha estava cantando há pouco tempo.

O livro é curtinho e cada conto é dividido em várias partes, cada uma com um caso. É bem gostoso de ler, mas não foi dos livros que me marcaram.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Volta ao mundo em 80 livros - Impressões sobre os livros (1ª parte)

Aqui vou escrever breves comentários sobre os primeiros livros lidos no desafio. Não sei qual será a regularidade desses posts, acho que eles vão sair à medida que me der vontade.

Já se passaram quase dois meses desde que comecei o desafio e li seis livros de países diferentes.

Os ratos e Macbeth têm resenha separada por causa do DL, então eles não entram aqui.

Os outros são:

Germinal - Émile Zola
Eu não dava muito por ele porque já li uma versão adaptada e não curti, mas quando comecei a ler, meu Deus, que livro bom! É desses que não dá para largar. Tem algo muito contagiante nele que te faz sofrer junto com os personagens, se indignar e se comover, e eu realmente não esperava encontrar isso nele.
Nota 10


Contos Húngaros - organizado por Paulo Ronai
Como toda coletânea de contos, tem uns contos de que você gosta mais e uns de que você gosta menos, mas no geral gostei bastante, achei uma boa seleção, adorei conhecer alguns autores húngaros e quero ler mais literatura desse país. E ele reafirmou meu amor pelo Kosztolányi.
Nota 9


A idade dos milagres - Karen Thompsom Walker
Livro muy simpático e agradável de ler. Gostei da ideia de o planeta começar a girar mais devagar, alterando a duração dos dias e noites, e também da divisão entre as pessoas que seguem o tempo natural e as que se aferram ao tempo do relógio. Também gostei de os personagens serem um pouco mais novos do que os YA que conheço (apesar de nem sempre eles se comportarem de acordo com a idade, ou com o que eu imagino da idade).
E A CAPA BRILHA NO ESCURO!!!
Nota 8,5


Crônica de um vendedor de sangue - Yu Hua
Achei divertidíssimo, embora no final tenha perdido um pouco da graça. E o livro até me deu vontade de comer fígado de porco frito e beber vinho de arroz amarelo!
Breve comentário idiota: apesar do romance se passar na época de Mao, eu imaginava algo bem mais antigo. E o triste é que eu imaginava as casas, as roupas e alguns cenários urbanos como japoneses e__e (será que é porque nessa época eu estava relendo os mangás de Samurai X? Ou é só porque eu generalizo os países orientais? .-.)
Nota 9



Macbeth - Desafio Literário

Título: Macbeth
Autor: William Shakespeare
Editora: New Swan

Citado no filme V de Vingança

Resenha atrasada do mês de maio, livros citados em filmes.

Demorei para escolher o livro desse mês porque em geral eu não sou grande fã de cinema. Adoro animações, mas a maioria não cita livros, e na lista de leituras sugeridas do DL só tinha coisa que eu já li ou que não tenho lá muito interesse em ler. Então recorri ao velho método de tentar encaixar no tema leituras que eu já teria que fazer de qualquer jeito. E nisso tenho que agradecer à Vivi por ter respondido minhas perguntas sobre livros e filmes.

Apesar da demora para escolher, fiz a leitura dentro do prazo, mas acabei me enrolando com a resenha e só escrevi agora...

Meu contato com Shakespeare antes desse semestre se resumia a algumas comédias e sonetos (lembro de ter lido Sonho de uma noite de verão, A megera domada, O mercador de Veneza, entre outros). Julgando só por essas leituras eu podia dizer que gostava de Shakespeare.

Mas agora peguei ódio.

Em geral não sou do tipo que acaba odiando tudo quanto é leitura obrigatória. Em geral eu gosto. Mas dessa vez não deu. Ler as tragédias de Shakespeare em classe foi enfadonho demais. E meu inglês não é o suficiente para eu entendê-las sem recorrer a tudo quanto é nota de rodapé. E odeio ter que ficar parando a leitura para ler as notas. Então eu li por cima, deixando para trás muita coisa incompreendida. E acabei não gostando, obviamente.

O enredo de Macbeth é até interessante e em alguns momentos eu cheguei a gostar da leitura, mas então eu desanimava e tudo se tornava um fardo.

Preciso ler a peça em português e ver se a má impressão se desfaz.

Essa leitura também faz parte de meu desafio Volta ao mundo em 80 livros.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Desafio Literário - Os ratos

Título: Os ratos
Autor: Dyonelio Machado
Editora: Planeta

Falhei na tarefa de escrever a resenha do mês passado. Eu li o livro, mas acabei esquecendo de escrever, então fica para depois. E do jeito que estão as coisas, eu quase ia esquecendo de escrever esta daqui também...

Escolhi Os ratos por já ter ouvido muitos elogios a ele e por ser um desses clássicos não tão conhecidos. Já faz algum tempo que venho adiando sua leitura, talvez por medo da frustração causada pela expectativa, talvez por não saber muito bem o que esperar, talvez por receio de que fosse uma leitura arrastada ou difícil. Mas no final eu achei o livro excelente.

A história é de um homem, Naziazeno Barbosa, que precisa de 53 mil réis para pagar o leiteiro. Ele sai pela cidade com a ideia fixa de conseguir essa quantia. E é isso. E é genial.

O lado mais psicológico do romance está na narração em discurso indireto livre (eu acho) que mergulha na mente do personagem. E o trecho da insônia de Naziazeno me deixou realmente aflita de tão realista.

Eu tinha separado um trecho do romance para colocar aqui e talvez despertar uma mínima vontade de ler o romance em quem por acaso vier a ler esta resenha, mas tive que devolver o livro na biblioteca (eu já li faz um tempo) e não achei versões na internet em minha breve busca, então fica sem trecho. :(

Além de ser uma leitura para o Desafio Literário, ela também vale para meu desafio Volta ao mundo em 80 livros, viva!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Desafio: Volta ao Mundo em 80 Livros

Fuçando por aí na internet achei um desafio literário que me interessou, o Around The World in 80 Books Reading Challenge, mas decidi não participar dele porque ele propõe ler 80 livros que SE PASSAM em 80 países diferentes e isso, na minha opinião, acaba te acomodando e te fazendo ler autores dos países "mainstream" e seus incríveis relatos de autodescoberta em países exóticos. Então decidi criar meu próprio desafio: ler livros de autores de 80 países diferentes. Acho que ler um livro de um autor do país é uma forma mais interessante de conhecer a cultura dele, não?

Como o desafio é meu, criei regras que se adaptam a mim:

- Tenho dez anos para completar o desafio. Minha data de início é 27 de abril de 2013 (que não é a data deste post, porque eu procrastinei para escrever aqui, é claro) e a data final é 27 de abril de 2023.
- O que conta é a nacionalidade do autor. No caso de autores nascidos em um país, mas criados em outro, bem, vou avaliar cada caso.
- Vou postar breves comentários sobre as minhas leituras. Nada de resenhas porque elas me cansam e me frustram, então só farei algo leve, muitas vezes de vários livros de uma vez.
- As datas na lista são as datas do término da leitura.
- Considerei os países do Reino Unido como países mesmo, mas essa é uma questão complicada.
- Se alguém quiser fazer o desafio também, faça! (e comente aqui para eu poder te stalkear)

Minha lista de livros lidos:
1. Germinal - Émile Zola (França) - 19/05/13
2. Contos Húngaros - Paulo Ronai (org.) (Hungria) - 23/05/13
3. Macbeth - William Shakespeare (Inglaterra) - 23/05/13
4. Os Ratos - Dyonelio Machado (Brasil) - 15/06/13
5. A idade dos milagres - Karen Thompson Walker (EUA) - 29/06/13
6. Crônica de um vendedor de sangue -Yu Hua (China) - 10/06/13
7. Submarino - Joe Dunthorne (País de Gales) - 30/07/13
8. Ojos de perro azul - Gabriel Garcia Marquez (Colômbia) - 30/07/13
9. Grotescas - Natsuo Kirino (Japão) - 04/08/13
10. The Speckled People - Hugo Hamilton (Irlanda) - 17/08/13
11. Haroun e o Mar de Histórias - Salman Rushdie (Índia) - 21/08/13
12. Velhas Estórias - Luandino Vieira (Angola) - 30/08/13
13. The Progress of Love - Alice Munro (Canadá) - 04/09/13
14. A manta do soldado - Lídia Jorge (Portugal) - 18/09/13
15. Digrace - J. M. Coetzee (África do Sul) - 09/10/13
16. The Underdog - Markus Zusak (Austrália) - 12/01/14
17. Diário da guerra do porco - Adolfo Bioy Casares (Argentina) - 18/01/14
18. Bonsai - Alejandro Zambra (Chile) - 22/01/14
19. Tchick - Wolfgang Herrndorf (Alemanha) - 24/01/14
20. A guerra das salamandras - Karel Capek (República Tcheca) - 03/02/14
21. O castelo nos Pirineus - Jostein Gaarder (Noruega) - 03/04/14
22. Por favor, cuide da mamãe - Kyung-Sook Shin (Coreia do Sul) - 08/04/14
23. O cão dos Baskervilles - Conan Doyle (Escócia) - 14/05/14
24. Se vivêssemos em um lugar normal - Juan Pablo Villalobos (México) - 01/06/14
25. Sete narrativas góticas - Karen Blixen (Dinamarca) - 10/06/14
26. A ordem de pagamento e Branca gênese - Sembène Ousmane (Senegal) - 12/06/14
27. O duplo - Fiódor Dostoiévski (Rússia) - 29/07/14
28. Tia Julia e o escrevinhador - Mario Vargas Llosa (Peru) - 31/08/14
29. O palácio da meia-noite - Carlos Ruiz Zafón (Espanha) - 15/09/14
30. O jantar - Herman Koch (Holanda) - 18/09/14
31. A casa dos náufragos - Guillermo Rosales (Cuba) - 20/09/14
32. Queijo - Willem Elsschot (Bélgica) - 20/12/14
33. Garoto zigue-zague - David Grossman (Israel) - 04/01/15
34. Hibisco roxo - Chimamanda Ngozi Adichie (Nigéria) - 13/02/15
35. O último amigo - Tahar Ben Jelloun (Marrocos) - 07/05/15
36. Bordados - Marjane Satrapi (Irã) - 14/06/15
37. Asco - Horacio Castellanos Moya (El Salvador) - 17/06/15
38. Precisamos de novos nomes - NoViolet Bulawayo (Zimbábue) - 21/07/15
39. A ovelha negra e outras fábulas - Augusto Monterroso (Honduras) - 10/10/15
40. Um, dois e já - Inés Bortagaray (Uruguai) - 11/11/15
41. Como ficar podre de rico na Ásia emergente - Mohsin Hamid (Paquistão) - 30/11/15
42. Terra e cinzas - Atiq Rahimi (Afeganistão) - 13/02/16
43. A raposa sombria - Sjón (Islândia) - 24/03/16
44. O boxeador polaco - Eduardo Halfon (Guatemala) - 02/05/16
45. O fio das missangas - Mia Couto (Moçambique) - 15/05/16
46. Os Moomins e o chapéu do mago - Tove Jansson (Finlândia) - 16/05/16
47. Pílulas azuis - Frederik Peeters (Suíça) - 18/06/16
48. As preces são imutáveis - Tuna Kiremitçi (Turquia) - 04/07/16
49. Estigmas - Lorenzo Mattotti e Claudio Piersanti (Itália) - 20/08/16
50. Breve romance de sonho - Arthur Schnitzler (Áustria) - 22/09/16
51. Um homem morto a pontapés - Pablo Palacio (Equador) - 12/11/16
52. Beauty Is a Wound - Eka Kurniawan (Indonésia) - 03/12/16
53. Vida, jogo e morte de Lul Mazrek - Ismail Kadaré (Albânia) - 08/03/17
54. Héracles - Eurípides (Grécia) - 29/05/17



Quando estava lendo Askeladden, que é norueguês, fiquei em dúvida se deveria inseri-lo aqui ou não. E depois, pegando uns livros infantis na biblioteca, fiquei ainda mais em dúvida se deveria considerá-los ou não válidos para o desafio. E aí decidi, tcharã, criar um desafio paralelo, o Volta ao Mundo em 80 Livros Infantis. Não que eu ache que a literatura infantil deva ser separada da "adulta", na verdade só criei esse desafio porque se eu considerasse Askeladden e os livros da Suzy Lee, entre outros, para o primeiro desafio, eu acabaria perdendo o estímulo para ler livros "de adulto" desses países.

As regras são:

- Tenho a vida inteira para completar esse desafio. É mais raro eu ler infantis e imagino que seja mais difícil achar livros de certos países, então vou ser generosa com o prazo. Minha data de início é 24 de maio de 2013.
- O que é infantil? Não sei, mas vou considerar basicamente livros curtos e ilustrados, além de coletâneas de contos de fadas, contos folclóricos, mitológicos etc. Livros mais para juvenis como Harry Potter fazem parte do outro desafio.
- Mesma regra lá de cima sobre a nacionalidade.
- Mesma regra lá de cima sobre os comentários.
- mesma regra lá de cima sobre sua participação.

Minha lista de infantis lidos:
1. A toalha vermelha - Fernando Vilela (Brasil) - 24/05/13
2. Marcelino Pedregulho - Sempé (França) - 24/05/13
3. Historinhas em versos perversos - Roald Dahl (Gales) - 26/05/13
4. Espelho - Suzy Lee (Coréia do Sul) - 07/06/13
5. Askeladden e outras aventuras (Noruega) - 15/06/13
6. Pedacinho de carvão - Lemony Snickett (EUA) - ??
7. A zebra Camila - Mariza Nuñez, Óscar Villán (Espanha)
8. Um grande sonho - Felipe Ugalde (México)
9. Por quê? - Anna Clara Tidholm (Suécia)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Desafio Literário - Aquele Verão

Título: Aquele Verão
Autora: Sarah Dessen
Editora: iD

Sinopse: Há muita coisa acontecendo na vida de Haven... Primeiro, o casamento do pai com Lorna Queen, a “Mulherzinha do Tempo” da televisão local. Depois, o casamento da irmã Ashley com o chato Lewis Warsher, que não parece combinar com Ashley de jeito algum. Haven também não consegue ignorar o fato de ter quase um metro e oitenta e cinco de altura e ainda continuar crescendo. Ela mal consegue ver quem ela é agora ou onde ela pode se ajustar.
Então, o antigo namorado de Ashley, Sumner Lee, aparece e reacende as lembranças de Haven do verão quando seus pais eram felizes, a irmã era descolada e despreocupada, e tudo era perfeito... ou pelo menos assim parecia. (sinopse roubada da orelha do livro)

Minha experiência anterior com um livro da Sarah Dessen foi com A caminho do verão, que também se encaixa no tema do Desafio, yay! Não sei se a autora tem algum tipo de obsessão com o verão ou se isso é algo comum em países de estações bem definidas. Só sei que achei o livro muito simpático e agradável de ler.

Comecei a ler Aquele verão sem tantas expectativas porque minha irmã disse que esse era mais chato que A caminho do verão e que a protagonista é uma irritante que faz draminha porque é alta demais. O livro realmente é mais lento que o outro da Sarah Dessen que li, há menos coisas acontecendo e a vida da Haven é meio besta. Mas eu gostei. Acho que era exatamente o que eu precisava no momento. A Haven é meio chata sim, mas consegui me identificar um pouco com ela e isso fez a leitura fluir.

Achei o livro sutil e delicado e recomendo aos que gostam de YAs pé-no-chão sobre as dores do amadurecimento indesejado.

domingo, 17 de março de 2013

Desafio Literário - Eu sou um gato

Título: Eu sou um gato
Autor: Natsume Soseki
Editora: Estação Liberdade

Minha primeira experiência com um livro de Natsume Soseki não foi tão prazerosa quanto eu esperava (leia a resenha aqui), então fui com expectativas mais moderadas ler Eu sou um gato, mesmo já tendo ouvido altos elogios a ele.

E eu amei o livro. É sarcástico, crítico, hilário. É do tipo de livro tão bom que eu não sei como transmitir isso em palavras.

O protagonista é um gato que vive com um professor no início do século XX. Ele analisa o comportamento dos humanos ao seu redor e a sociedade em que vive. Não há muita ação, mas pelo menos para mim a leitura fluiu bem e foi deliciosa. O dono do gato, o professor Kushami, e seus amigos intelectuais são muito engraçados e adorei ler as conversas deles.

Mais para o final o livro se torna menos engraçado e as reflexões se prolongam demais, mas nada que prejudique a obra.

Recomendo muito a todos que têm interesse pela sociedade japonesa e por gatos.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Desafio Literário - A luz fantástica

Título: The Light Fantastic
Autor: Terry Pratchett
Editora: HarperTorch

Li A Cor da Magia, primeiro volume de Discworld,  há muito tempo e não li a continuação porque a edição brasileira está esgotada e não tem nas bibliotecas que eu frequento. Apesar de eu gostar muito de Discworld, o tamanho gigantesco da série me dá certa preguiça e isso me impede de sair correndo atrás de todos. Mas aí a edição em inglês apareceu para mim na livraria e é claro que eu comprei.

A Luz Fantástica é continuação direta de A Cor da Magia, o que significa que voltamos a acompanhar as aventuras de Rincewind, mago expulso da universidade e que só conhece um feitiço, que por sinal é o Oitavo, um dos grandes feitiços, e de Duasflor, o primeiro e único turista do disco. E da Bagagem, é claro. Meu longo intervalo na leitura da série significa que por anos deixei Rincewind caindo e caindo da borda do disco, sem saber o que aconteceria com ele.

E agora finalmente voltei a ele e ele pode parar de cair. Não só parar de cair, mas lidar com uma gigantesca estrela vermelha que se aproxima do disco.

Não posso dizer que A Luz Fantástica é meu preferido da série (prefiro os que tem Morte como protagonista), mas também não posso dizer que é inferior aos outros; ele tem o humor Pratchettiano de sempre e personagens memoráveis.

É uma boa leitura, embora não tenha me feito rir de verdade, porque é raro eu rir de verdade ao ler. Acho que para mim, rir é um ato social, por isso raramente rio quando estou sozinha.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

[Anime] Welcome to NHK

Seguindo minha resolução de resenhar todos os animes que eu terminar, estou sendo meio forçada a escrever essa resenha desse anime que vi há alguns meses e já nem lembro tão bem assim. Como não lembro muito bem e estou com preguiça (na verdade, era para eu estar escrevendo minha resenha do DL, mas escrevi um rascunho a mão e não consigo encontrar ù_ú), vou falar bem brevemente sobre o anime:

Ele conta a história de Tatsuhiro Sato, um hikikomori que largou a faculdade, não tem emprego e vive sozinho preso no apartamento, vendo conspirações por toda parte. Um belo dia ele encontra Misaki, uma garota meio misteriosa que propõe curá-lo. Mas a verdade é que ela é tão perdida e solitária quanto ele. Felizmente temos outro personagem na trama, o grande e fenomenal Yamazaki, o otaku, que envolve Sato em um projeto de criação de um gal game.

O anime se desenvolve meio que aos trancos e barrancos. No meio há umas tramas meio soltas, imagino que para mostrar diferentes facetas do mundo dos tristes e desesperados, como a do RPG online e a do esquema da pirâmide. E apesar de terem lá sua graça e seus méritos, em um anime de 24 episódios esse enredo mais dispersivo pode ser frustrante.

O que realmente gostei em Welcome to NHK é que o anime parecia falar diretamente para mim, meio como um tapa na cara ou um alerta. Não, não sou hikikomori, mas os dilemas e problemas do Sato e dos seus amigos são os mesmos que os meus, e sei que muita gente que assistiu o anime também se identificou.

O anime também conseguiu balancear o drama e a comédia. O tema é triste e desesperador e é tratado com aparente leveza. Você ri, mas termina os episódios com um peso no coração. E eu gosto de sentir um peso no coração após assistir um anime.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Desafio Literário - O capote e outras histórias

Título: O capote e outras histórias
Autor: Nikolai Gógol
Editora: 34

O livro reúne cinco contos/novelas de Gógol: "O capote", "Diário de um louco", "O nariz", "Noite de natal" e "Vyi". Os três primeiros são os mais famosos e consagrados do autor e os dois últimos são de sua produção inicial, contos folclóricos com a presença do sobrenatural e do cômico.

Eu tinha grandes expectativas em relação a "O nariz" e por isso não achei o conto tão excepcional quanto eu imaginava. Esperava algo ainda mais insólito.

Já com "O capote" foi o contrário. É uma de suas obras mais conhecidas, mas eu não sabia do que se tratava, então foi uma surpresa positiva.

Outra surpresa foram os dois contos "populares", que de tão diferentes, parecem até ter sido escritos por outro autor. Aqui o ambiente urbano dos funcionários públicos dá lugar ao ambiente rural, com bruxas, diabos que roubam a lua, cadáveres, amantes escondidos em sacos, velhas que montam em homens e provações para conquistar o coração da mais bela da aldeia. Eu não esperava gostar muito desses contos e, ao iniciar "Noite de natal" já fiquei "xi, quantas páginas isso tem?", mas então acontecem mil reviravoltas e a história se torna divertidíssima, bem ao estilo de narrativas que a vovó contava.

Gostei de ter esse primeiro contato com a obra de Gógol e espero ler Almas Mortas um dia.

Desafio Literário - Wildwood

Título: Wildwood
Autor: Colin Meloy
Ilustradora: Carson Ellis
Editora: Balzer + Bray

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi... que a capa é linda. Não só a capa, mas toda a edição, com capa dura, ilustrações coloridas e em preto e branco. Uma beleza! Deve ser um dos livros mais lindos que eu (ou melhor, minha irmã) tenho aqui em casa.

Os desenhos da capa já mostram bem como será a história, com bosques, batalhas e animais falantes.


O livro é sobre... um mundo mágico, localizado em Portland, Oregon. 
Encarregada de cuidar do irmão bebê por uma tarde, Prue tem seu irmão raptado por um bando de corvos, que o levam até o bosque selvagem localizado nos confins da cidade. Ninguém nunca vai lá, mas Prue decide seguir em frente e resgatar o irmão. Para isso, ela conta com a ajuda do colega Curtis, que ainda desenha super-heróis enquanto todos os outros já passaram dessa fase. Eles adentram em um mundo mágico, com animais falantes e plantas superpoderosas, e tem que lidar com feitiçaria antiga, manobras políticas e um mundo cindido.

Eu escolhi esse livro porque...  minha irmã ganhou já faz um tempo e eu sempre adiei a leitura porque eu sabia que ele seria mais bonito do que bom. E como ele é grossinho, achei bom ler agora em janeiro que estou com bastante tempo livre.

A leitura foi... tranquila. O livro não é a melhor coisa do mundo, mas está longe de ser ruim. 
Em alguns pontos ele me lembrou Nárnia, talvez por ter animais falantes e porque, no começo, Curtis meio que se aliou sem muita consciência à rainha do mal, e isso me lembra o Edmundo.
Uma coisa que não gostei muito no livro foi o vai e volta entre as partes da Prue e as partes do Curtis. Eles se separam logo no começo e achei que a narrativa ficou muito entrecortada com esse mudança de perspectiva. Se as partes fossem mais longas seria melhor. E se o Curtis e cia ficassem engaiolados por mais tempo também seria melhor (não sei por que, mas amei aquela parte).

O personagem que eu gostaria que soubesse a verdade é a família do Curtis. Por quê? Não posso revelar por que, seria spoiler. Mas eu achei isso triste. O eterno dilema: a que mundo eu pertenço...


O trecho do livro que merece destaque: as ilustraçõs. Fotografei algumas das minhas favoritas, mas a qualidade não ficou lá essas coisas...






 
A nota que eu dou para o livro: 4
(sendo: 1- Não gostei; 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5- Adorei)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Desafio Literário - Foras da lei barulhentos...

Título: Foras da lei barulhentos, bolhas raivosas e algumas outras coisas que não são tão sinistras, quem sabe, dependendo de como você se sente quanto a  lugares que somem, celulares extraviados, seres vindos do espaço, pais que desaparecem no Peru,  um homem chamado Lars Farf e outra história que não conseguimos acabar, de modo que talvez você possa quebrar esse galho.
Autores: Nick Hornby, George Saunders, Kelly Link, Richard Kennedy, Jon Scieszka, Sam Swope, Clement Freud, James Kochalka, Neil Gaiman, Jeanne Du Prau, Jonathan Safran Foer (introdução e meia-história de Lemony Snicket)
Editora: Cosac Naify

Essa é uma coletânea de contos voltada a adolescentes/crianças/pessoas que gostam de contos voltados a adolescentes e crianças. Reúne textos dos autores citados acima, com introdução e o começo de uma história (para você terminar) do Lemony Snicket, ilustrações E uma palavra-cruzadas no final (ainda não fiz). E a capa ainda é bonita, simpática, interessante, com título looongo e a curiosa foto de um monstrengo.

O que me atraiu de primeira no livro foi a seleção dos autores: adoro o Nick Hornby (li praticamente tudo que ele publicou), adoro o Neil Gaiman, adoro o Lemony Snicket (ai, que vontade de reler Desventuras) e gostei muito do que li do Jonathan Safran Foer. O fato de ele ser ilustrado e ter uma edição bacana só melhora.

Minha decepção foi que eu já li o conto do Neil Gaiman ("Pássaro-do-sol", presente em Coisas Frágeis). Minha maior surpresa é que a maioria dos contos me agradou muito! Muitos deles têm um pé no fantástico e muito humor (um tipo de humor que me lembra o Lemony Snicket). Gostei especialmente de "Lars Farf, pai e marido excessivamente temeroso", de George Saunders, sobre um homem que tenta de todas maneiras proteger a ele e a sua família de possíveis acidentes e de tudo de ruim que assola o mundo. Também gostei de "Grimble", de Clement Freud, sobre um garoto com pais ausentes e uma infinidade de bilhetes. E a introdução do Lemony Snicket é bem Lemony Snicket. O único que não gostei, ou não entendi, foi "Vendidos separadamente", de Jon Scieszka, que me pareceu mais algo conceitual do que uma narrativa e ficou meio deslocado do resto.

Foras da Lei Barulhentos foi uma ótima leitura e uma boa introdução a vários autores dos quais eu nunca tinha ouvido falar. É um livro que vale a pena ler, reler, ter, ficar admirando a capa e o título.

Obs: lendo sobre o livro pela internet, descobri que "Grimble" é um dos livros de infância preferidos da J.K. Rowling e que ele estava fora de catálogo, coisa que deixou o Neil Gaiman muito surpreso, porque ele achava que as editoras seriam espertas e republicariam o livro com a frase da Rowling na capa. Mas não foi assim, então ele sugeriu que publicassem o conto nessa coletânea. Fim!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Desafio literário - A trama do casamento

Título: A trama do casamento
Autor: Jeffrey Eugenides
Editora: Companhia das Letras

Sinopse roubada do site da editora e editada para não ficar gigante:

Acompanhando um trio de alunos da universidade de Brown entre o ano da sua formatura (1982) e o seguinte, Eugenides fornece um acurado retrato da desilusão de uma geração que viu o otimismo revolucionário dos anos 60 se consumir em cinismo e vazio, ocasionando dúvidas e instabilidades de todo tipo. 

Depois de ler críticos como Jacques Derrida, Roland Barthes e Michel Foucault, a estudante Madeleine Hanna percebe que gostar de romances já não é o bastante para justificar sua vontade de se graduar em letras. O autor está morto, os livros viraram textos, a semiótica está desconstruindo a linguagem. E já não há romantismo. 

O que ela não sabe é se deve mesmo se adequar a esse mundo pouco sentimental, em que a devoção por escritoras vitorianas parece um crime. E ainda maior é sua dúvida entre os dois homens que a disputam. 
Afinal, Eugenides nos apresenta, ao mesmo tempo, uma inquestionável história de amor, ou duas, ao acompanhar a devoção de Mitchell Grammaticus por Madeleine e a complicada relação dela com o gênio problemático Leonard Bankhead. 


Meus comentários frustrados: Eu tinha escrito uma resenha bem espontânea antes, mas deu algum problema no blogger/computador e perdi tudo. Isso é um sinal de que eu não deveria ficar escrevendo coisas espontâneas, de que eu deveria refletir melhor quando escrevo essas porcarias de resenha, mas agora estou com raiva e vou forçar a memória para recuperar mais ou menos o que eu tinha escrito (só que vai ficar pior).

Bom, escrever resenhas é difícil para mim. Às vezes sai sem tantos problemas, mas às vezes não dá. E dessa vez resolvi fazer uma resenha na forma de comentários espontâneos em vez de um texto organizadinho.

- Gostei do livro mais do que esperava. O que eu esperava? Talvez eu temesse que ele fosse meio "universitário", cheio de papo acadêmico, nomes de autores aqui e ali, altas discussões sobre sei lá o quê. E, de fato, ele é um pouquinho assim, mas de uma forma agradável. Também tinha medo de que talvez ele se concentrasse demais na ideia do casamento, amor, romance. E, de fato, tem um pouco disso também, mas de uma forma agradável.

- O livro é ótimo. A prosa de Eugenides flui que é uma beleza. Os diálogos são ótimos. Os personagens são bem construídos. Há partes dolorosas e há partes hilárias. E o que mais gostei foi disso, das partes hilárias.

- Eu não esperava que fosse ser desses livros envolventes, de não querer largar, mas foi. (com a exceção de algumas partes do Mitchell; não gosto muito dele)

- Preciso ler os outros romances do Eugenides (felizmente são só dois, então é uma tarefa realizável). Dizem que eles são melhores que a "Trama", então devem ser ótimos, maravilhosos etc, não? Alguém aí já leu?

Nota: 4,5/5


E ainda estou com raiva de ter perdido meu texto anterior, grrrr.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Desafio literário - A cabana

Título: A Cabana
Autor: William P. Young
Editora: Sextante

Ai, que livro chato.

Esse é da leva que minha tia me emprestou, que incluía romances água com açúcar e coisas assim, que podem não ser minhas leituras favoritas, mas também não são algo que acho chaaato ou maçante (tá, admito, eu meio que gosto de vários desses livros).

Eu sabia que "A cabana" tinha tudo para ser chato. Sou ateia e a religião nunca teve nenhum papel em minha vida. Além disso, não gosto muito de livros com mensagens edificantes e coisas semelhantes.

Mas o livro estava lá e achei bom ler logo para devolver. E talvez ele até superasse algumas expectativas.

Bom, acho que todos sabem o básico sobre "A cabana": um cara teve a filha assassinada, mergulha na tristeza e recebe uma carta de Deus, convidando-o para um encontro na cabana onde a filha foi morta. O cara vai e encontra Deus, Jesus e o Espírito Santo. Eles conversam sobre Deus, religião, amor, perdão etc.

Achei as cinquenta primeiras páginas do livro bem interessantes, afinal, é a parte mais ágil e com algum suspense. Depois, quando chegamos à cabana, a coisa fica parada. 

Imagino que o livro agrade aqueles que acreditam em Deus, mas que sejam meio flexíveis em relação à religião, porque o autor prega um Deus mais aberto e acaba contradizendo algumas coisas da Bíblia/Igreja/sei lá. No final, a imagem de Deus que ele passa acaba sendo bem agradável, dá até vontade de acreditar nisso (ou não).

E ainda não entendo porque esse livro fez tanto sucesso aqui no Brasil, credo!

Nota: 2/5 (teve algumas partes legais)


Desafio literário - O livro selvagem

Título: O livro selvagem
Autor: Juan Villoro
Editora: Cia. das Letras

- Há pessoas que acham que entendem um livro só porque sabem ler. Eu já disse que livros são como espelhos: cada pessoa encontra neles aquilo que está em sua própria mente. O problema é que você só descobre que existe isso dentro de você quando lê o livro certo. Os livros são espelhos indiscretos e arriscados: fazem com que as ideias mais originais saiam da sua cabeça e trazem à tona outras novas, que você não sabia que tinha. Quando você não lê, essas ideias ficam presas dentro da sua cabeça e não servem para nada. (p. 75)

Sempre achei que o desafio literário deveria ter um tema "livros sobre livros" ou "livros para amantes de livros", que incluiria livros sobre o ato de escrever e de ler, sobre personagens, leitores e escritores, sobre a relação entre ficção e realidade. Se um dia houvesse esse tema, "O livro selvagem" seria uma boa indicação, pois ele é exatamente sobre a relação que os livros estabelecem com seus leitores.

Os pais de Juan estão prestes a se separar e por isso ele tem que passar as férias com o solitário tio Tito, dono de uma biblioteca enorme e labiríntica. Lá, ele descobre um novo mundo, um em que os livros têm vida e reagem à sua presença. O tio Tito passa uma missão a Juan: encontrar o livro selvagem, que se recusa a ser lido e passou anos naquela biblioteca se esquivando dos olhos humanos. Felizmente, Juan conta com a ajuda da bela Catalina, que transforma sua vida, e também com a ajuda de outros livros.

O livro é uma delícia de ler, embora eu tenha gostado bem mais dos primeiros capítulos, mais voltados à situação familiar de Juan e à apresentação geral do tio Tito e sua biblioteca, do que da grande caçada ao livro selvagem. Foi divertido ler sobre a biblioteca, com seu sistema de classificação esdrúxulo, e sobre o tio Tito, com suas lições profundas, como: "É preciso ampliar as possibilidades da vida: urinar por três minutos é mais divertido que por dez segundos".

"O livro selvagem" é um desses infanto-juvenis que tem profundidade e ao mesmo tempo que consegue manter um bom ritmo de aventura. É sobre livros e sobre a vida, e sobre como um espelha o outro.

Nota: 4/5


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Desafio literário - A casa dos muitos caminhos

Título: A casa dos muitos caminhos
Autora: Diana Wynne Jones
Editora: Galera Record

Meu primeiro livro para o Desafio Literário de 2013 foi "A casa dos muitos caminhos". Minha irmã ganhou esse livro faz mais de um ano, mas eu ficava adiando a leitura porque achava que tinha que reler os volumes anteriores da série ("O castelo animado" e "O castelo no ar") para aproveitar melhor a leitura e aí achava um absurdo gastar tempo relendo quando há uma pilha de livros não lidos me esperando. Mas sabem o que descobri? Que isso é bobagem, eu tinha mesmo que reler! Demorei cerca de dois dias para ler cada um dos volumes e foi um tempo muitíssimo bem empregado.

Os livros são independentes entre si e tem personagens em comum. Você não precisa ler os primeiros para pode entender "A casa", mas essa leitura torna os detalhes bem mais saborosos. E você não perde nada se ler os dois primeiros, pois eles são ótimos! "O castelo animado" é o mais conhecido, tem o filme do Miyazaki (se não assistiu, assista!) e apresenta personagens que estarão presentes nos volumes seguintes. É o melhor na minha opinião. "O castelo no ar" tem um estilo meio Aladdin que não me agradou muito na primeira leitura, mas ao reler passei a apreciá-lo mais.

"A casa dos muitos caminhos" é sobre Charmain, uma garota protegida pelos pais, criada para ser respeitável. O tio-avô de sua tia-avó é um mago e precisa se ausentar para tratar uma doença, pedindo a Charmain que cuide de sua casa durante esse tempo. A garota não sabe lavar, passar, cozinhar e muito menos usar magia, coisa que seus pais consideram muito pouco respeitável, mas vai ter que aprender na marra, com a ajuda de uma cachorrinha gulosa e de um aprendiz desastrado. A casa, obviamente, é mágica e esconde cômodos misteriosos e passagens secretas, e pode ser ajudar a revelar o segredo do reino de Alta Norlanda.

O livro é uma delícia de ler e é um prato cheio para os fãs dos anteriores, pois dá destaque a alguns velhos conhecidos (inclusive Jamal e seu cão!). Ele é cheio de reviravoltas, mas acho que preferi os momentos mais tranquilos de trabalho doméstico e aprendizado de magia do que as aventuras maiores, por assim dizer.

Achei o final um pouco insatisfatório, mas isso também acontece com "O castelo animado" e nem por isso gosto menos dele.

Recomendo para todos que gostam de fantasia e/ou infanto-juvenis.

Nota: 4,5/5

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Os melhores (e piores) do Desafio Literário 2012

Meu segundo Desafio Literário completo e minha segunda lista de melhores e piores, decepções e surpresas etc.

Aqui vai a lista dos livros que eu li de fato (e aqui a lista do começo de ano):

Janeiro - Literatura gastronômica
Eat Pray Love - Elizabeth Gilbert
Chez Moi - Agnes Desarthe

Fevereiro - Nome próprio
Anna Kariênina - Liev Tolstoi
Madame Bovary - Gustave Flaubert
Robinson Crusoe - Daniel Defoe
Marina - Carlos Ruiz Zafón

Março - Serial killer
Unhas - Paulo Wainberg

Abril - Escritor oriental
E depois - Natsume Soseki
Real World - Natsuo Kirino
Battle Royale - Koushun Takami

Maio - Fatos históricos
O palácio de Inverno - John Boyne
Educação Sentimental - Gustave Flaubert
O garoto da casa ao lado - Irene Sabatini

Junho - Viagem no tempo
A máquina do tempo - H.G. Wells

Julho - Prêmio Jabuti
O coronel e o lobisomem - José Cândido de Carvalho

Agosto - Terror
Raça da noite - Clive Barker

Setembro - Mitologia
Viagem pelo Brasil em 52 histórias - Silvana Salerno

Outubro - Graphic Novel
Fagin, o judeu - Will Eisner
Adeus tristeza - Belle Yang
Frango com ameixas - Marjane Satrapi

Novembro - Escritor africano
AvóDezanove e o segredo do soviético - Ondjaki

Dezembro - Poesia
Janelas e tempo - Teruko Oda
O livro dos sonetos - vários autores
Desorientais - Alice Ruiz

Melhores livros (mais ou menos em ordem):
Frango com ameixas, que foi breve, doloroso e lindo;
AvóDezanove, divertido e nostálgico;
Real World, desses que dá vontade de devorar de uma sentada;
A máquina do tempo, engenhoso e mais divertido do que eu esperava.

Piores:
O livro dos sonetos. Odeio sonetos, principalmente os mais antigos, e esse livro só reforçou isso. Ou seja, ele pode ir direto para a pilha de doações, tchau!;
Eat pray love, boring;
Robinson Crusoe, mega boring, tenho ódio do Robinson e seu pão até hoje;
Educação sentimental, li sob pressão e não foi legal;

Boas surpresas:
O garoto da casa ao lado é um água com açúcar com sustância, tem um bocado sobre a história de Zimbábue, mete o dedo na ferida aqui e ali, e ainda assim consegue ser uma leitura agradabilíssima.

Maior decepção:
Raça da noite; adoro Abarat, também do Clive Barker, mas Raça da noite é simplesmente tosco.

O que foi prejudicado por fatores externos e merecia uma leitura melhor:
O coronel e o lobisomem. O livro é bom, mas eu achei chaaato porque tive que parar a leitura e retomar só em dezembro, quando eu não estava no humor certo.

Mês que mais me agradou no geral:
Outubro. Foi bom quebrar um pouco as leituras de romances/contos para ler quadrinhos, mesmo que só um deles tenha sido uma coisa mágica e encantadora.
Fevereiro. Amei a variedade que esse mês permitiu e amei poder encaixar nele livros que eu queria ler faz tempo e que sabia que se não surgisse a oportunidade nunca leria.
Abril. Acabei lendo só japoneses, o que não era minha intenção, mas foi legal mesmo assim.

Mês que amaldiçoei por não poder ler mais do que li:
Novembro, mês de conclusão de semestre. Queria muito poder conhecer mais escritores africanos ou simplesmente ler mais dos autores que já conheço, mas não deu, e isso me deixou muito, muito frustrada. Eu olho para meu único livro do mês e penso nas possibilidades, me parece um desperdício.

Mês que acabou me surpreendendo por ser mais legal do que parecia:
Dezembro. Gostei das minhas leituras de haikais.


É isso. Já li meu primeiro livro para o DL 2013, quando der publico a resenha.