quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Retrospectiva de 2017

2017 não foi um ano muito bom para o blog. Com exceção dos posts de Randomicidades do mês, que se mantiveram constantes, escrevi pouquíssimo aqui. A verdade é que não consegui me animar muito a escrever e não tenho motivos bem definidos para explicar esse desânimo além da não-participação em desafios literários, que geralmente me dão um empurrão para escrever um pouquinho sobre o que leio.

No quesito leituras, filmes e séries, 2017 foi bastante movimentado, mas não particularmente empolgante e marcante. Li alguns livros fantásticos e muitos livros bons, vi séries e animes que adorei e uma boa dose de filmes bons, mas não excepcionais. Sinto que a cada ano que passa estou ficando mais chata (ou, pelo menos, menos empolgada com as coisas), então, por mais que eu tenha lido/visto muitas obras de que gostei, tenho dificuldade em elegê-las como as melhores do ano. Por isso a lista desse ano será um tanto enxuta, principalmente nos filmes.

Leituras

Em 2017 li o total de 106 livros.

Entre eles, 20 são HQs (8 delas mangás), 7 são livros de contos, 2 são peças de teatro e 1 é livro de poesia. O resto é tudo romance.

57 livros foram escritos por homens e 45 por mulheres. (Bem mais equilibrado que no ano passado, mas ainda longe do ideal.)

Li livros de autores de 22 países diferentes, mas apenas 5 foram de países que ainda não tinha lido, ou seja, válidos para o meu desafio Volta ao Mundo em 80 Livros. A maioria esmagadora deles é dos EUA (37), seguido pelo Japão (13, contando com mangás), Inglaterra (11), Brasil (8), Itália (5), França e Canadá (4), Holanda, Rússia, Chile e Finlândia (2), México, Portugal, Equador, Serra Leoa, Egito, Guiné Bissau, Grécia, Hungria, Espanha, Coreia do Sul e Albânia (1).

Melhores leituras


Série Napolitana – Elena Ferrante
Demorei um pouco, mas me rendi à Ferrante Fever! A história da amizade conflituosa entre Lila e Lenu e suas vidas em Nápoles me conquistou rapidamente. Como histórias sobre infância e adolescência são minhas preferidas, A amiga genial foi o volume que mais me agradou, seguido do último volume.


Desventuras em série – Lemony Snicket
Em preparação para a estreia da série da Netflix, finalmente reli os livros, que eram alguns dos meus favoritos no passado. Muitos livros/filmes/etc. ficam melhores no passado, envolvidos pela nostalgia, mas Desventuras sobreviveu bem, na minha opinião, e conseguiu me divertir com o estilo de narração, me entreter com as vidas desventuradas dos personagens e me envolver em seus mistérios quase como se eu estivesse lendo pela primeira vez. (Depois de terminar a leitura passei um dia inteiro lendo teorias de fãs na internet, haha.)
Menção honrosa à série Só perguntas erradas, uma espécie de prequel sobre a iniciação do narrador na CSC. Mais despretensiosa que Desventuras, talvez, mas igualmente divertida.


Nijigahara Holograph – Inio Asano
Fiquei fã do Asano com Solanin e depois Oyasumi Punpun. Depois de ler Nijigahara minha admiração só cresceu. O mangá mostra, de forma fragmentada, a vida de diversos personagens que conviveram no passado. Pode ser uma leitura um tanto confusa devido à narrativa não-linear, mas é o tipo de leitura que se torna mais impactante à medida que você vai juntando as peças.


A gigantesca barba do mal – Stephen Collins
Comprei essa graphic novel só porque achei o traço bonitinho e porque ela é descrita pela editora como uma fábula que faz lembrar Roald Dahl. Não sei se a comparação é tão válida assim, mas a história, de um homem cuja barba começa a crescer descontroladamente até ser vista como ameaça pública pela sociedade perfeitamente controlada e organizada é um tanto insólita.


Botchan – Natsume Soseki
Sou muito fã do Soseki e acho que aprecio especialmente os livros mais despretensiosos dele, como é o caso deste romance leve e divertido, em que um jovem professor inexperiente e impulsivo vai trabalhar em uma cidadezinha e sofre para se adaptar.


Tirza – Arnon Grunberg
Muita gente elogiou esse livro quando ele foi lançado, o que me deixou bem curiosa para ler. Tirza é sobre um homem de meia-idade aparentemente respeitável que esconde seu desconforto diante dos outros. É um livro lento e tenso.


Um cometa na terra dos Moomins – Tove Jansson
Esse é o segundo livro da série dos Moomins e narra a jornada de Moomintroll e seus amigos rumo a um observatório para tentar salvar o Vale dos Moomins de um cometa. É aqui que vários personagens importantes da série são apresentados, mas o que me conquistou no livro é o cenário apocalíptico combinado à ingenuidade dos personagens.

Filmes

Não costumo ver muitos filmes por ano, mas mesmo sem ver tantos, sempre tem uma meia-dúzia que surpreende e se destaca. Em 2017, infelizmente, a maioria dos filmes que vi me pareceu esquecível, assim, selecionei apenas dois para comentar aqui, um longa e um curta, os dois de animação porque sou fã de animação, se ainda não perceberam.


Minha vida de abobrinha
Essa animação em stop-motion é protagonizada por um garoto que perdeu a mãe e foi viver em um orfanato, cercado por outras crianças em situação semelhante. É um filme incrivelmente doce e fofo, porém permeado de tristeza.


Balance
Esse curta alemão mostra um grupo de homens que vive equilibrado sobre uma plataforma. Eles dependem uns dos outros para manter o equilíbrio e se organizam juntos para executar as tarefas, até que um deles pesca uma caixa misteriosa. O filme é bastante simples, mas me deixou refletindo por um bom tempo.

Séries e animes

No finalzinho de 2017 eu finalmente terminei de ver Mad Men, que foi o grande destaque do ano para mim em questão de séries. Assisti várias coisas legais, mas no fundo a maioria não foi tão boa assim. De qualquer forma, destaco cinco delas.


Mad Men
Apesar de Mad Men ser uma série muito elogiada e muito premiada, eu não esperava gostar tanto dela no início, pois não tenho muito interesse na vida de publicitários na década de 60, assim como não achei o protagonista tão fascinante quando ele deveria ser. Porém, a série se revelou merecedora de todos os elogios. Adorei acompanhar o desenvolvimento dos personagens em uma época de grandes mudanças na sociedade.


Aku no Hana
Anime polêmico devido ao seu estilo “feio” que eu não achei tão feio assim. Aku no Hana é sobre um garoto fraco que se sente o diferentão e é chantageado pela garota esquisitona da escola. É um anime bastante atmosférico, tenso, com trilha sonora marcante e algumas cenas pesadas e outras muito bonitas.


Made in Abyss
Anime de aparência fofinha e cenários deslumbrantes que mostra a aventura de uma menina e um robô mergulhando rumo ao desconhecido em um abismo profundo onde poucos ousam entrar. Made in Abyss conseguiu me despertar empolgação e fascinação diante do universo criado, cheio de perigos, criaturas misteriosas e paisagens peculiares.


Shouwa Genroku Rakugou Shinjuu: Sukeroku Futatabi-hen
Segunda temporada de Shouwa, dessa vez focada no Kikuhiko já idoso e na nova geração de artistas de rakugou, todos lutando para manter a arte viva em uma época de mudanças sociais e culturais. Apesar de eu preferir a primeira temporada, que tinha um clima de tragédia iminente que me agrada e me pareceu mais coesa, a segunda temporada mantém as qualidades da série, como a atenção aos detalhes e as ótimas atuações dos dubladores.


Dark
Essa série alemã sobre o desaparecimento de jovens em uma cidadezinha me deixou muito viciada. Cheia de mistérios, personagens que guardam segredos e viagens no tempo, é uma boa série se você gosta de se sentir confuso, haha.

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E assim encerro minhas pendências com 2017 aqui no blog. Analisando melhor, não foi um ano tão ruim assim. ;)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Randomicidades do mês: dez/2017

Dezembro foi um mês atípico porque não li tantos livros, mas vi relativamente muitos filmes e séries, em parte porque comecei algumas leituras que vão demorar para acabar e porque viajei e acabei vendo um monte de filmes com a família para aplacar o tédio.

Leituras


Tenderness – Robert Cormier
Depois de ler The Chocolate War (resenha), fiquei empolgada para conhecer outros livros do autor. A premissa me pareceu muito interessante: um jovem serial-killer é libertado da prisão e conhece uma adolescente que fugiu de casa e tem uma estranha obsessão por ele. No entanto, me decepcionei um pouco com a história. O relacionamento entre os dois não me convenceu, e a garota toma umas atitudes impensadas bem irritantes. Ainda assim, acho que o autor conseguiu criar uma história impactante.
Nota: 3


Coração de mãe – Jodi Picoult
Paige tem o seu primeiro filho e não se sente nada preparada para cuidar dele. Assombrada pelo próprio passado e por sua mãe, que abandonou a família quando Paige ainda era criança, ela teme ser incapaz de ser uma mãe de verdade. O livro é interessante ao mostrar as dificuldades da personagem de se adequar ao papel que a sociedade espera dela como mãe, mas achei a história um tanto arrastada.
Nota: 3


Casa de praia com piscina – Herman Koch
Gostei bastante de O jantar, então estava curiosa para ler este aqui. O protagonista, Marc, é um clínico geral que não gosta muito de pessoas e que vai passar o verão na tal casa de praia com piscina com a família, convidado por um de seus pacientes, um famoso ator. Um incidente acontece e, algum tempo depois, o ator está morto e Marc é acusado de negligência médica. O protagonista é um tanto desprezível e às vezes é cansativo ler todo o discurso dele, mas o livro se torna bastante envolvente na metade final.
Nota: 3,5


Lua de vinil – Oscar Pilagallo
Em 1973, Giba só queria saber de jogar futebol de botão com os amigos do prédio e ouvir o Dark Side of the Moon, mas um acidente o deixa em um grande dilema. É um livro gostosinho de ler, mas nada de muito especial. Me incomodei um pouco com o tanto de referências da época que o autor inclui, me pareceu algo meio forçado, só para falar “olhem, estamos no anos 70!”.
Nota: 3

Quadrinho


Deslocamento – Lucy Knisley
Nesse diário de viagem, Lucy Knisley acompanha seus avós em um cruzeiro e enfrenta a dificuldade de lidar com idosos com a saúde debilitada. O traço dela é uma graça e gosto da maneira que ela retrata o cotidiano deles na viagem, lidando com os problemas de memória da avó, com a multidão do cruzeiro e com a preocupação constante em deixar os avós confortáveis na viagem.
Nota: 4

Animes e séries


Mad Men
Comecei a assistir Mad Men em janeiro de 2016, ou seja, demorei dois anos para terminar de ver as sete temporadas. Isso não significa que a série seja ruim, muito pelo contrário, eu apenas gosto de degustá-la aos poucos. Apesar de no início eu achar que o cotidiano de uma agência de publicidade nos anos 60 não iria me interessar, fui cativada pelos personagens incríveis. Acho que a série já foi elogiada bastante por outras pessoas e eu não tenho nada a acrescentar além de: assistam!
Nota: 4,75


Pokémon Generations
Série lançada online com episódios curtos baseados em histórias dos jogos originais. Achei a ideia legal, principalmente quando a história envolvia personagens pouco explorados nos jogos ou algum mistério que os jogos nunca explicaram direito, mas não consegui gostar tanto do anime por um motivo simples: eu não joguei a maioria dos últimos jogos. Não sou o público-alvo do anime, logo não posso comentar sobre ele direito.
Nota: 2,5


Dark
Série alemã da Netflix sobre o desaparecimento misterioso de jovens em uma cidadezinha alemã. É dessas séries viciantes que te deixam cheia de perguntas na cabeça (me lembrou um pouquinho Lost, mas eu não tenho muitas referências na área, então posso estar exagerando). A segunda temporada já foi confirmada, o problema agora é esperar.
Nota: 4


Made in Abyss
No meio de uma ilha há um enorme abismo, que se estende além do alcance do homem. Ao redor dele se ergueu uma cidade cheia de pessoas que desejam se aventurar nas profundezas em busca dos tesouros e mistérios que existem ali. Uma dessas pessoas é Riko, uma garota criada em um orfanato que está em busca da mãe, uma famosa exploradora desaparecida. Acompanhada de um garoto-robô, ela inicia a descida rumo ao desconhecido. Em geral não sou a maior fã de aventuras, mas Made in Abyss me deixou empolgada com a exploração no abismo, as criaturas desconhecidas e as paisagens misteriosas. A arte do anime é maravilhosa, com cenários deslumbrantes, e eu amei a música e todo o universo criado. Estou aguardando ansiosamente pela segunda temporada.
Nota: 4,5


Kino no Tabi (2017)
Quando fiquei sabendo que iriam lançar um novo anime de Kino no Tabi, fiquei bem entusiasmada. A primeira adaptação, de 2003, é excelente e bastante diferente da maioria dos outros animes. Nele, uma jovem viaja com sua moto falante e passa três dias em cada país, entrando em contato com seus povos e costumes. Cada episódio apresentava alegorias com teor reflexivo. A nova versão perde um pouco da coerência que o anime antigo apresentava e prefere investir em episódios mais focados na ação. Uns dois ou três episódios foram realmente bons, mas a maioria não conseguiu transmitir tão bem suas ideias. Ainda assim, foi divertido acompanhar.
Nota: 3,5


Mahou Shoujo-tai Arusu (OVA)
Não gostei muito do anime original, mas li comentários elogiosos sobre os OVAs e resolvi dar uma chance. Os seis episódios exploram mais do universo da série, focando em personagens secundários ou criaturas mágicas que ainda não conhecíamos. As histórias despretensiosas funcionam bem, e apesar de ter achado alguns episódios meio chatinhos, preciso dizer que amei os dois primeiros (o do feitiço da cabeça de peixe e o do bebê fada). Gostaria que a série original seguisse mais esse estilo, mas fazer o quê, não sou eu que mando.
Nota: 3,5


Top of the Lake
Nessa série policial, uma detetive que está de visita à sua cidade natal é chamada para ajudar no caso de uma menina de 12 anos grávida, que não quer revelar quem é o pai do bebê e, posteriormente, desaparece. A cidade tem o seu quinhão de personagens desprezíveis e segredos bem guardados. Gostei da série, apesar de achar um tanto arrastada/repetitiva às vezes, considerando que é uma série curta. As paisagens da Nova Zelândia são lindas!
Nota: 3,5

Filmes


Com amor, Van Gogh
Após um pedido do pai, o filho do carteiro parte em busca de Theo Van Gogh para lhe entregar uma carta de seu irmão, Vincent, e acaba investigando os possíveis motivos da morte do famoso pintor. O filme foi animado a partir de milhares de pinturas imitando o estilo de Van Gogh, o que lhe dá uma aparência única. A história, no entanto, não é das mais interessantes.
Nota: 3,5


Meus 15 anos
Como eu já tinha lido o livro, fiquei curiosa para ver o filme, que é sobre uma menina nada popular que ganha uma festa colossal em um sorteio de shopping. A partir daí, ela vira o centro da atenção na escola, com todos cobiçando um convite para o grande evento. O filme é meio bobinho, mas legal. Ele é bem diferente do livro, mantendo apenas a ideia da festa de 15 anos e o básico dos personagens, mas achei que as mudanças feitas fizeram sentido.
Nota: 3,25


Ícaro
Documentário sobre o esquema de doping da Rússia. Não sou muito fã de documentários, mas fiquei com vontade de assistir esse depois das últimas decisões sobre a participação da Rússia nas Olimpíadas de Inverno. O mais interessante do filme é que o projeto se iniciou como uma tentativa de mostrar como o sistema antidoping era pouco confiável. Para isso, o documentarista entrou em contato com Grigory Rodchenkov, diretor do laboratório antidoping da Rússia, que mais tarde foi denunciado como uma das pessoas por trás do sistema de doping russo. É um bom documentário para se assistir se você tem interesse no tema.
Nota: 3,5


Eu, Daniel Blake
Daniel Blake sofreu um ataque cardíaco e não pode mais trabalhar. Ele precisa dos benefícios do governo, mas esbarra na burocracia que lhe nega seus direitos. No caminho, ele conhece uma jovem mãe que tenta sustentar os dois filhos e passa a ajudá-la. É um filme bastante crítico do sistema, mas às vezes sinto que ele não é muito mais do que isso.
Nota: 3,25


Grandes olhos
Filme do Tim Burton sobre uma pintora e seu marido explorador, que atribuiu a si a autoria das obras de grande sucesso da mulher. É meio louco pensar que essa é uma história real. Assim como é meio louco pensar que os quadros com criancinhas de olhos enormes realmente faziam sucesso. Achei o filme ok, o que me deixou com saudades da época em que eu amava quase tudo que o Tim Burton dirigia...
Nota: 3,25


Depois da tempestade
Filme japonês sobre um escritor em decadência que trabalha como detetive particular. Ele é divorciado, mas quer reatar com a ex-mulher e voltar a viver com ela e o filho, no entanto gasta quase todo o seu dinheiro em apostas. É um filme simples, meio parado, mas interessante.
Nota: 3,5


Capitão Fantástico
Finalmente vi esse filme que eu queria ver faz um tempão. Nele, um casal cria os filhos de maneira alternativa, porém, quando a mulher morre e todos vão ao funeral, há um choque com a vida moderna e antigas tensões vêm à tona. Achei divertido, esteticamente agradável, porém um pouco óbvio.
Nota: 4

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E essas foram as últimas randomicidades de 2017! Mais tarde eu volto com os melhores do ano e etc.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Patinação: comentários sobre a primeira metade da temporada

Fiquei um tempão relutando sem saber direito o que escrever no blog sobre a atual temporada de patinação. Não sabia se fazia uma retrospectiva do Grand Prix antes da final ou se comentava um pouquinho de tudo o que aconteceu até aqui, incluindo os Challengers e Junior Grand Prix. Acabei optando pela segunda opção, no entanto, como minha memória é péssima e fui burra e não anotei os nomes dos patinadores que me chamaram a atenção no começo da temporada, não tenho muito o que falar das primeiras competições.

Yuzuru Hanyu, que sofreu uma lesão no tornozelo

Lesões e withdrawals
Essa temporada está sendo marcada por muitas lesões e gente se retirando de competições. Não sei se o pessoal está realmente mais machucado que o normal ou se só estão sendo mais cautelosos devido às Olimpíadas (talvez um pouco dos dois). Só sei que hoje mesmo, no dia em que escrevi isso, já li três notícias de patinadores que não vão participar de seus campeonatos nacionais devido a lesões. L Espero que todos melhorem até as Olimpíadas!

Pódio do nacional de 2016
(eu não me importaria com um repeteco)

Patinadoras japonesas
Sempre me dói pensar que o Japão tem apenas duas vagas para as Olimpíadas. A Satoko e a Wakaba são minhas favoritas, com certeza, mas as outras patinadoras também são imensamente talentosas e simpatizo com a maioria (mesmo ficando com birra de algumas de vez em quando, mais por motivos externos do que por elas mesmas). Fiquei surpresa com os saltos da Kaori, mesmo achando o programa livre dela meio ???; apreciei e torci pela Rika Hongo; me juntei mentalmente aos coros de “Mai was robbed” e “Wakaba was robbed” e até mesmo “Marin was robbed” em alguns momentos, porque não esperava algumas das pontuações baixas que elas receberam; fiquei muito feliz vendo a consistência da Wakaba em suas primeiras competições e vendo o público virando fã dela, para então ter o coração quebrado depois do programa livre no GPF; e fiquei aliviada ao ver a Satoko voltando à forma depois de tanto tempo se recuperando de uma lesão.

Estou meio feliz (e surpresa, porque antes da temporada começar eu não estava com expectativas muito altas) que as minhas favoritas tiveram o melhor desempenho na temporada por enquanto, se classificando para o Grand Prix Final, mas ao mesmo tempo ainda estou nervosa com o desempenho delas no campeonato japonês, que define as vagas. Parte de mim está aliviada que a competição provavelmente vai acontecer enquanto eu ainda estou dormindo tranquilamente, porque acho que meus nervos não conseguiriam aguentar assistir tudo ao vivo.

Pódio do GPF (um pódio muito atípico porque
o Shoma é quem está sorrindo mais entre os três)

Um Grand Prix atípico para os homens
No papel, o Grand Prix parecia bastante previsível na categoria masculina: cada etapa tinha dois homens do top 6, o que significava que a medalha de ouro e prata ficaria para eles e o resto lutaria pelo bronze. Na prática não foi bem assim. Por culpa de lesões e outros contratempos, tivemos resultados um tanto inesperados, como um Grand Prix Final sem Yuzuru, Javier, Boyang e Patrick. Apenas Nathan e Shoma puderam confirmar seu favoritismo, enquanto outros patinadores surpreenderam, como Kolyada e Voronov. Talvez o Grand Prix masculino não tenha sido tão empolgante quanto de costume, mas foi interessante ver outros patinadores medalhando. E amei que o Misha Ge ganhou sua primeira estrela medalha em um GP. <3
 
Keegan

Novos favoritos
Em geral sou mais atraída pelo programa/coreografia do que pela qualidade geral do patinador em si, mas pude notar no começo da temporada que virei fã do “estilo canadense” de skating skills, se é que se pode chamar assim. Virei fã do Keegan Messing e seu estilo fluido, somado à habilidade de interpretar personagens. Também gostei muito do Liam Firus. Espero ver os dois mais nas grandes competições internacionais.


Na categoria júnior, não tive grandes revelações. Assistir as competições foi divertido, é claro, principalmente na categoria feminina, em que as principais competidoras apresentam conteúdo técnico equivalente ao das sêniores, mas fiquei um pouco cansada com a enorme quantidade de pupilas da Eteri, que, em geral, não têm um estilo que me agrada muito. Meu destaque fica por conta da Moa Iwano (principalmente no programa curto) e... é isso, eu acho. Vale mencionar também o garoto que patinou trilha sonora do filme de Rurouni Kenshin.

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Por enquanto é só isso que tenho a comentar. Nessa semana começam os primeiros grandes campeonatos nacionais, com o Japão e a Rússia, e um pouco depois teremos os dos EUA e do Canadá, definindo alguns dos times olímpicos.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Randomicidades do mês: novembro/2017

Livros


Pax – Sara Pennypacker
Pax é uma raposa que adora o seu menino. Porém, com a guerra, o menino precisa ir morar com o avô, e seu pai o convence a abandonar o bichinho na floresta. Mais tarde, o garoto se arrepende de seu ato e parte em uma jornada perigosa em busca de Pax, enquanto a raposa se mantém fiel ao dono e tenta reencontrá-lo. O livro é bonitinho, mas não gostei muito de como a raposa foi caracterizada, pois ela me pareceu humanizada demais para um animal (mas não o tipo de humanizado demais que fica interessante).
Nota: 3,25


O crime do padre Amaro – Eça de Queirós
Faz algum tempo que não leio um livro classicão, desses de se ler na escola/faculdade, e confesso que ando com preguiça para esse tipo de livro. No entanto, O crime do padre Amaro não foi de todo chato. A história do jovem padre que vive cercado de beatas e religiosos e se apaixona por uma jovem é interessante, e a crítica ao clero e à sociedade hipócrita também.
Nota: 3,25


Lua de larvas – Sally Gardner
Standish vive com o avô em uma área sob o controle da Terra Mãe. Seus pais desapareceram, seu melhor amigo e a família desapareceram, e ele e o avô vivem sob o risco constante de também desaparecer. Mas Standish sabe de algo que pode abalar a Terra Mãe e salvar seu amigo. Gostei bastante do estilo da autora e de como ela constrói o universo do livro, apesar de tê-lo achado um tanto confuso. O final me pareceu meio corrido, ou pelo menos não me empolgou tanto quanto a primeira metade.
Nota: 4


Te vendo um cachorro – Juan Pablo Villalobos
Teo é um homem idoso que vive em um condomínio cheio de outros idosos, dos quais ele vive se esquivando, pois não quer se juntar à tertúlia literária e às outras atividades que eles organizam. Ele passa os dias matando baratas, citando Adorno para se livrar de gente inconveniente, bebendo no bar, conversando com a quitandeira ou com o jovem mórmon que sempre o visita. É um livro bastante bem-humorado, com personagens excêntricos e acontecimentos inusitados.
Nota: 4


Tirza – Arnon Grunberg
Jörgen Hofmeester é um homem de meia-idade que parece respeitável e realizado, mas que esconde seu desconforto. O retorno inesperado da esposa que o abandonou há alguns anos e a partida de sua filha preferida, por quem ele é obcecado, para uma viagem à África o deixam em crise. Hofmeester é um personagem bastante desprezível e a narrativa apresenta uma tensão constante que a torna fascinante.
Nota: 4


O homem de olhos dançantes – Sophie Dahl
Livro curtinho e ilustrado sobre uma jovem sonhadora e o seu amor. É um livro poético e gracioso. Gostei das ilustrações.
Nota: 3,25


Stories – Neil Gaiman e Al Sarrantonio (org.)
Coletânea de contos bem heterogênea com histórias de autores como Roddy Doyle, Joe Hill, Joyce Carol Oates, Diana Wynne Jones e Chuck Palahniuk. A maioria dos contos tem um pé no realismo fantástico, alguns de maneira bem sutil, outros nem tanto. Meus favoritos foram “The thuth is a cave in the Black Mountains” do Neil Gaiman (que foi publicado aqui no Brasil como um livro individual) e “Weights and measures” da Jodi Picoult. Teve um ou dois contos que achei bem chatinhos, mas o resto variou de regular a bom, e foi legal conhecer novos autores ou revisitar autores queridos.
Nota: 3

Quadrinhos


Quadrinhos insones – Diego Sanchez
O livro reúne histórias curtinhas e variadas. Gostei de algumas, de outras nem tanto. A capa brilha no escuro!
Nota: 3


Vírus Tropical – Power Paola
HQ autobiográfica sobre a infância e a adolescência da autora. Ela conta com bastante bom humor os altos e baixos de sua vida cheia de acontecimentos e personagens curiosos. O maior defeito, na minha opinião, é que o livro acaba meio de repente.
Nota: 4


Metrópolis – Osamu Tezuka
Baseado muito vagamente no filme homônimo de Fritz Lang, esse mangá conta a história de uma criatura superpoderosa gerada pela ciência, um vilão que pretende dominar o mundo e uma rebelião das máquinas contra a humanidade. É uma leitura rápida e divertida, mas que tenta abordar temas demais e acaba falhando em desenvolvê-los. Algumas páginas a mais ou uma enxugada em alguns plots menos importantes fariam bem à obra.
Nota: 3

Animes e séries


The O.C.
Eu era apaixonada por essa série na adolescência e resolvi rever para matar as saudades. Vendo hoje é muito mais fácil notar os defeitos dela, como os draminhas desnecessários em excesso, mas ainda assim, foi bem divertido rever. A trilha sonora continua ótima!
Nota: 3,5


Gekkan Shoujo Nozaki-kun
Após uma declaração de amor mal interpretada, Sakura descobre que o menino de quem ela gosta é um autor de mangás shoujo. Ela passa a trabalhar como assistente dele, na esperança de que ele perceba seus sentimentos, mas ele é muito desligado em relação a romance (apesar de ganhar a vida escrevendo histórias melosas). É um anime divertido e muito gostosinho de assistir, com um grupo de personagens engraçados e cheios de manias.
Nota: 4


Mindhunter
Série da Netflix sobre dois agentes do FBI que iniciam um estudo nos anos 70 sobre serial killers, entrevistando assassinos famosos para compreender o que os levou a cometer tais crimes, o que os ajudaria a resolver outros crimes semelhantes. A história não é muito a minha cara, mas gostei bastante da série.
Nota: 3,75

Filmes


Raw
Uma garota vegetariana é tomada pelo impulso irresistível de comer carne após um trote na faculdade de veterinária. Gostei do filme, bem intenso, um pouco estranho.
Nota: 3,5


Hells
Esse filme é uma colcha de retalhos malfeita. Num ritmo frenético, ele nos mostra uma garota que morre em um acidente e vai parar no inferno, que é uma escola controlada por um demônio que se veste como Elvis. Para sair de lá, só se formando, portanto, ela tem de lidar com as aulas, as colegas que não vão com a sua cara e as loucuras do diretor. No entanto, coisas acontecem e de repente ela se vê em uma batalha entre personagens bíblicos, e aí o filme já não faz mais muito sentido. A estética cartunesca com um estilo meio Tim Burton é a parte mais interessante do filme. O resto é uma bagunça.
Nota: 2,5

Curtas

Descobri esse site com curtas de animação japoneses antigos e passei um tempinho dando uma olhada no que ele tem a oferecer. Não costumo ver animações muito antigas, então foi interessante ver as diferentes técnicas e estilos que eles adotavam na época.


Namakura Gatana (1917)
Uma das primeiras animações japonesas, conta a história de um samurai que compra uma espada e deseja testá-la, desafiando as pessoas que ele encontra por aí. Vale assistir pelo valor histórico.
Nota: 3,25


Propagate (1935)
Animação abstrata e geométrica sobre a reprodução de plantas. Porém, se a sinopse não dissesse que esse é o tema, ficaria difícil de adivinhar (com exceção das partes em que aparecem palavras), porque é tudo bem estranho. Se o filme tivesse som, ele provavelmente seria bem mais interessante.
Nota: 3


Kokka Kimigayo (1931)
O curta mostra alguns mitos da origem do Japão enquanto o hino é tocado. Ele usa a técnica de silhuetas com recortes, que dá um aspecto muito legal ao filme.
Nota: 3,75


Dobutsu orinpikku taikai (1928)
Animação divertida sobre animais em uma competição esportiva. Temos um elefante forçudo que é craque no arremesso de disco, um porquinho péssimo na corrida com obstáculos que suga o ar de um balão para ganhar mais flutuação, um macaco e um cachorro que ficam brigando durante os 1.500 metros. Achei bem engraçadinho!
Nota: 4

Compras


Depois de alguns meses sem comprar nenhum livro, é lógico que eu não iria resistir à Festa do Livro da USP. Comparando com anos anteriores, até que comprei pouca coisa. Primavera foi uma compra de impulso. A capa me chamou a atenção, a edição é bonitinha, vi que é um romance estoniano e que parece ser o tipo de livro infantojuvenil que eu gosto, logo, comprei. Estou muito curiosa para ler O homem sem doença agora que li Tirza. Vamos ver se o autor consegue me agradar pela segunda vez. Não sei muito sobre Rosalie Lightning além de que é uma graphic novel sobre a morte da filha do autor. Parece bonito e triste, que em geral é o tipo de HQ que eu gosto. E, finalmente, A mulher de pés descalços é um romance ruandês inspirado pela mãe da autora.

Para a minha surpresa, não comprei nada na Black Friday. Os únicos livros que eu realmente queria não estavam com descontos grandes o suficiente. Meu bolso e minhas estantes lotadas agradecem.

É isso!